Policiais desocupam prédios invadidos do programa do governo

De acordo com a PM, cerca de 200 famílias haviam invadido o condomínio; algumas já haviam deixado o espaço nesta terça (18)

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Pelo menos 300 policiais militares, bombeiros e guardas municipais participam da desocupação do condomínio Residencial Guadalupe, conjunto que integra o programa Minha Casa, Minha Vida, na zona norte do Rio, na manhã desta quarta-feira (19). Segundo o porta-voz da PM, coronel Cláudio Costa, as equipes acompanham os oficiais de justiça que já começaram a notificar os invasores nos 11 prédios do espaço - por volta das 8h45.

Por volta das 9h10, os ocupantes deixavam o conjunto carregando seus pertences em carroças e carrinhos de mão. Camas, sofás, TVs e fogões eram levados separadamente pelos invasores. Até as 9h30, não houve reação a desocupação. Muitos invasores voltaram para barracos vizinhos. Outros seguiam para casas de parentes e amigos.

"Tenho que levar as minhas coisinhas porque não quero que levem para o depósito da prefeitura. Agora, não sei pra onde vou", disse chorando dona Célia Araújo Rodrigues, 63 -ao lado da carroça que levava seus pertences. "Por enquanto, vou deixar tudo na casa de uma colega que mora por aqui", acrescentou. Antes, dona Célia disse que pagava R$ 150 por um apartamento alugado numa comunidade da região conhecida como Pedra Rasa. Ela afirmou que vive com renda de catar ferro velho.

Moradores da região apoiam os invasores na porta do conjunto habitacional. "Vim dá uma força para os meus alunos. Muitos vão voltar para o barraco com ratos.. outros vão tentar resgatar seus aluguéis", afirmou Celi Santana, 41, professora de capoeira na favela Gogó da Ema.

"Esse condomínio aí estava abandonado há dois anos e meio. As pessoas que não tem casa e moram nesses barracos caindo aos pedaços acharam oportunidade de entrar", disse Josilene Ribeiro, 35, moradora vizinha do condomínio.

Às 10h15, um grupo de 30 invasores deixou o conjunto com gritos de protesto: "Queremos casa, queremos casa".

De acordo com a PM, cerca de 200 famílias haviam invadido o condomínio. Algumas já haviam deixado o espaço nesta terça (18). Pelo menos 20 oficiais de Justiça trabalham na desocupação dos prédios.

Mais cedo, às 5h, a polícia cercou o condomínio e parte das favelas do Chapadão e Gogó da Ema, situadas na região. Participam da operação policiais do Comando de Operações Especiais (COE) da PM com homens do Bope, Choque e Batalhão de Ações com Cães. As equipes contam ainda com agentes do 41º Batalhão de Irajá, carros blindados [caveirões] e um helicóptero de apoio.

Conforme exigência da Justiça, equipes do Corpo de Bombeiros com ambulâncias, representantes das secretarias municipais de Habitação e Serviço Social, além de caminhões da Caixa Econômica também estão no local. Os pertences dos invasores serão levados para um depósito da prefeitura -que não teve o endereço divulgado. A polícia não disse se os ocupantes retirados do conjunto serão levados para abrigos.

A principal via de acesso ao condomínio, na rua Fernando Lobo, foi interditada pela CET-Rio. Toda ação policial é acompanhada em tempo real do Centro de Comando e Controle da PM, na região central do Rio.

A PM afirma que os invasores estão avisados sobre a desocupação do conjunto desde a semana passada, mas ocupantes ouvidos pela Folha disseram que só souberam da operação da polícia através da imprensa.

"A gente só quer um lugar pra morar. Não sei pra onde vou quando sair daqui porque já ocuparam o barraco onde eu morava antes", lamentou Ingrid da Silva, 19, uma das invasoras.

Na manhã desta quarta-feira (19), o clima era de aparente tranquilidade na região ocupada pela polícia no entorno do condomínio -construído no centro da favela do Chapadão. Nos outros dias, era possível ver traficantes armados com fuzis circulando em lajes de casas. Há ainda barricadas de concreto levantadas pelo tráfico de drogas em ruas transversais ao conjunto.

Em agosto, a Folha de S.Paulo revelou que invasões de sem-teto emperraram a entrega de 1.427 moradias a famílias de baixa renda de São Paulo pelo Minha Casa, Minha Vida.

As unidades foram invadidas em 2013, a dois meses de serem entregues, e destruídas quando os invasores foram retirados pela polícia.

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