Gari salva bebê de sufocamento e vira nóticia em Belo Horizonte

Mãe do recém-nascido trouxe a público o gesto do funcionário da SLU, que virou herói e já nem pode mais atender o telefone, por conta do assédio da imprensa

iG Minas Gerais | Gustavo Lameira |

Webrepórter/Ângela Gonçalves de Melo
"Equipe de socorrista" e o pequeno Davi

Para agradecer, tornar pública a história e afirmar que "anjos de Deus" estão por toda parte é que dona Ângela Gonçalves de Melo, de 33 anos, procurou o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte, onde trabalha Gileadi Manassés Pereira, 30, responsável por trazer de volta à vida o filho dela, o recém-nascido Davi.

O caso foi registrado no bairro Jardim Europa, região de Venda Nova, no último dia 3, quando o bebê de 1 mês e 23 dias teve uma parada respiratória. "Por volta de 11h, eu dei a mamadeira pro Davi e deitei ele de bruços. Eu até reparei que ele ainda não tinha arrotado, mas como eu tenho costume de fazer assim todo dia, nem me preocupei. Foi quando meu sobrinho chegou, às 13h, que percebemos que ele não estava  normal", contou. O primo de Davi foi até o berço para acordá-lo, "mas ele já estava roxinho, todo duro, e não se mexia", lembrou Ângela.

Desesperada, a mãe saiu com o bebê no colo, gritando por socorro aos parentes que moram no mesmo quintal, sem sucesso. "Foi quando eu ouvi uma voz, e tenho certeza que foi a voz de Deus, me dizendo: 'Corre pra rua', e eu fui".

O caminhão da coleta de lixo domiciliar, passava, como de costume, pela rua Edimburgo, quando a equipe se deparou com Ângela, chorando muito, e trazendo o filho no colo. "O motorista pegou o Davi e pediu para chamarem o Gileadi, que só depois eu fui saber que nem trabalha nessa rota. Foi a mão de Deus. O gari foi pegando o Davi e começou o socorro ali na rua, depois, porque o sol estava muito quente, fomos pra dentro da minha casa, onde ele fez as massagens e meu filho foi voltando... Graças a Deus".

Gileadi ainda orientou que a mãe que levasse o filho a um posto médico, imediatamente. Na unidade de saúde local, o sobrinho ouviu do médico que estava tudo bem com a criança, e que a mãe deveria dar um banho nela, e deixá-la chorar à vontade, para que a respiração fosse se normalizando.

"Eu só queria agradecer a ele, um anjo enviado para me ajudar. Procurei a SLU, queria saber se eles tinham um jornal interno para divulgar isso, e nem sonhava que a história fosse render tanto", finalizou.

Gileadi

Nas coletas seguintes, depois de duas tentativas, o gari e sua equipe puderam ver e carregar o pequeno Davi, quando Ângela tirou as fotos que ilustram esta reportagem. O bebê está muito bem, gozando, em perfeita saúde, seus atuais 2 meses e 9 dias de idade.

Por conta da simpatia e enorme popularidade do gesto, não conseguimos um contato direto com o gari Gileadi. Desde então, procurado por sites de notícia, emissoras de TV e rádio. De acordo com a SLU, todos os contatos foram concentrados com o encarregado de coletas, que não atendeu a nossas chamadas.

Gileadi trabalha na limpeza urbana desde fevereiro deste ano. Seus conhecimentos e habilidades para o socorro foram adquiridos em um curso de bombeiro civil, realizado na Academia de Bombeiros Civis de Minas Gerais (brigada Belo Horizonte).

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