Manifestantes invadem Parlamento de Hong Kong; líderes criticam ação

Um grupo de ativistas encapuzados conseguiram romper uma das portas de acesso à casa e vários deles entraram no edifício

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Manifestantes pró-democracia entraram em confronto com a polícia nesta quarta-feira (19) em Hong Kong, quando um grupo de ativistas encapuzados tentou invadir o Conselho Legislativo da ex-colônia britânica.

Os manifestantes conseguiram romper uma das portas de acesso à casa e vários deles entraram no edifício, segundo a agência de notícias Efe.

Os agentes prenderam quatro homens, com idades entre 18 e 24 anos, por "danos criminosos" e "agressão contra policiais". Três agentes ficaram feridos.

Os policiais utilizaram cassetetes e gás de pimenta contra os manifestantes.

A sessão parlamentar desta quarta foi cancelada, assim como as visitas do público ao Parlamento.

O incidente ocorreu horas depois do início do despejo sob ordem judicial dos manifestantes acampados nos arredores de um prédio comercial situado em frente ao Parlamento de Hong Kong.

Os manifestantes não resistiram e, inclusive, cooperaram com a retirada das barricadas. Foi removida uma parte do acampamento de uma das três áreas ocupadas desde 28 de setembro.

O número de pessoas nas manifestações diminuiu consideravelmente, mas os ativistas ainda mantêm a ocupação, o que afeta consideravelmente os transportes públicos, assim como a atividade econômica e comercial.

Os manifestantes protestam contra as regras estabelecidas pela China para as eleições ao governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong em 2017.

Apesar de estabelecer o sufrágio universal, Pequim impôs que só podem concorrer os candidatos escolhidos por um comitê.

Críticas

As duas organizações que lideram os protestos de Hong Kong criticaram nesta quarta a violência da madrugada.

A Federação de Estudantes de Hong Kong e a Scholarism, as duas organizações estudantis à frente dos protestos a favor de mais liberdades democráticas, disseram hoje que os jovens que invadiram o prédio do legislativo se equivocaram e que as ações foram inúteis.

Joshua Wong, líder do grupo estudantil Scholarism, disse que ações como estas colocam os outros manifestantes em perigo, mas não chegou a condenar os atos.

"Em uma campanha de desobediência civil os participantes têm que assumir suas responsabilidades legais e garantir a segurança de todos os demais participantes", afirmou.

Alex Chow, líder da Federação de Estudantes de Hong Kong, negou que os protestos democráticos estejam fora de controle, mas admitiu que é preciso melhorar a coordenação entre os manifestantes.