Ações da Petrobras atingem o menor valor desde 2005

Em um ano, papéis preferenciais da petroleira caíram 41,9%, de R$ 21,44 para R$ 12,45

iG Minas Gerais |


Desvalorização. 
Denúncias levam ações da Petrobras ao valor mais baixo dos últimos nove anos
Roberto Rosa/Petrobras/Divulgaç
Desvalorização. Denúncias levam ações da Petrobras ao valor mais baixo dos últimos nove anos

São Paulo. Em meio às denúncias de corrupção da Petrobras, escancaradas pela operação Lava Jato, as ações da estatal caíram pelo quarto pregão consecutivo e atingiram o menor valor no ano. As ações preferenciais (sem direito a voto) fecharam em queda de 1,19%, para R$ 12,45 – menor cotação desde 25 de maio de 2005, considerando o ajuste do desdobramento dos papéis feito em 2008. Já a ação ordinária da estatal (com direito a voto) teve perda de 1,57%, para R$ 11,94 – o menor valor no ano e o mais baixo desde 15 de setembro de 2004.  

Ainda não é sabido o tamanho da quantia desviada no escândalo de propinas da Petrobras, nem como isso vai impactar o resultado da companhia. Mas, segundo o analista da Clear Corretora, Raphael Figueredo, o cenário todo é negativo. Ele acredita que, no curto prazo, o papel da Petrobras vai continuar sofrendo com as incertezas sobre a companhia e seu balanço.

“Por outro lado, é preciso ver que está sendo feita uma arrumação na empresa e o saldo disso pode ser melhora na governança. Isso é bom, mas só deve refletir no preço da ação lá na frente”, avalia Figueredo.

Para o sócio da Queluz Asset Management, Maurício Pedrosa, os papéis podem cair ainda mais, e chegar a até R$ 10, com as incertezas sobre como o balanço do terceiro trimestre será afetado com as perdas após as investigações da opera

Há pouco mais de um mês, a ação preferencial da Petrobras chegou a ser cotada em R$ 22,13, no dia de outubro. Só de lá para cá, o papel derreteu 43,7%. No dia 18 de novembro de 2013, a cotação era de R$ 21,44, ou seja, em um ano, despencou 41,9%.

Bolsa. Apesar da desvalorização das ações da Petrobras, o principal índice da Bolsa brasileira voltou a fechar no azul nesta terça, após três quedas consecutivas. O Ibovespa subiu 1,57% (52.061 pontos), influenciado pelo bom desempenho do setor financeiro e, além da petroleira, o resultado só não foi melhor devido à baixa das ações da Vale e de siderúrgicas, na esteira da queda no preço do minério.

Segundo analistas, as especulações sobre nomes para a equipe econômica no segundo mandato de Dilma Russeff (PT) continuam pautando a Bolsa e ajudaram a impulsionar os papéis de bancos.

“O rumor de que Henrique Meirelles pode integrar a equipe econômica é bem visto, pois o mercado pede alguém com mais autonomia”, diz Filipe Machado, da Geral Investimentos.

Entre os bancos, o Itaú subiu 2,91%, para R$ 36,06, enquanto o papel preferencial do Bradesco mostrou ganho de 4,49%, a R$ 36,53. Já o Banco do Brasil registrou valorização de 3,67%, para R$ 26. Esse é o segmento com maior participação no Ibovespa.

Problemas trabalhistas

Com uma dívida de R$ 1,2 bilhão não paga pela Petrobras, a Alumini Engenharia atrasou o pagamento de 4.600 funcionários da obra da refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca (PE). Os trabalhadores pedem, na Justiça, rescisão indireta de contrato. Na semana passada, o sindicato conseguiu liminar para garantir que a Petrobras deposite em juízo os valores devidos à Alumni. Segundo matéria da Folha de S. Paulo, a dívida já havia sido relatada pela Alumini ao Ministério Público do Trabalho.

Complicador para o caixa

A decisão do Tribunal de Contas da União de não liberar os bônus de R$ 2 bilhões da Petrobras traz mais um complicador para o caixa do governo, que terá até o fim desta semana para enviar ao Congresso Nacional seu relatório bimestral de avaliação de despesas e receitas de Orçamento da União, o último do ano. O relatório tem que trazer as previsões para o cumprimento da meta fiscal até o fim do ano. O governo e a Petrobras ainda estão negociando os termos da revisão da cessão onerosa.

Evolução das ações preferenciais

Há um ano

18/11/2013: R$ 21.44

Há pouco mais um mês Há um ano 18/11/2013:  R$ 21.44 Há pouco mais um mês 13/10/2014: R$ 22,13 Nesta terça 18/11/2014: R$ 12,45 Nos últimos dias 10/11: R$ 13,98 11/11: R$ 14,00 12/11: R$ 14,11 13/11: R$ 13,60 14/11: R$ 13,20 17/11: R$ 12,60

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