Inflação alta traz de volta o Natal das lembrancinhas

Um terço dos brasileiros vai gastar menos neste ano

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Em baixa. O Brasil é o país com menor intenção de gastos no Natal entre seis da América Latina
Lincon Zarbietti / O Tempo
Em baixa. O Brasil é o país com menor intenção de gastos no Natal entre seis da América Latina

Com juros e inflação altos e população endividada, o Natal de 2014 vai voltar a ser de lembrancinhas, segundo o professor de Finanças e gestão empresarial da FGV/Faculdade IBS Pedro Leão Bispo. “Vai ser o Natal do simbolismo, dos presentes mais em conta”, aposta ele.  

Pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mostra que o percentual de brasileiros que pretendem gastar menos com presentes no Natal deste ano é de 33%, superior aos 13% de 2013.Pesquisa da consultoria Deloitte é ainda mais pessimista e mostra que 46% vão desembolsar menos com compras de Natal este ano.

Para Bispo, é bom que o consumidor tenha uma postura mais econômica no Natal de 2014. “Afinal, em seguida vem janeiro com todos o seus gastos, material escolar, pagamento de impostos e matrículas escolares”, diz.

Ele afirma que é fundamental ter uma reserva financeira, que poderá ser utilizada numa eventualidade, como gastos com a saúde. “Além do mais, com o governo que temos hoje, que diz uma coisa, depois faz outra no dia seguinte, ou seja, que não nos dá certeza e que vive um momento de falta de credibilidade, o melhor é segurar o consumo”, aconselha.

E tentar segurar o impulso no fim do ano é o objetivo de muitos brasileiros, já que conforme levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o número de pessoas que usará uma parte do 13º salário para comprar presentes diminuiu em relação ao ano passado. Em 2014, 11% irão utilizá-la para esse fim, contra 14% no ano passado.

A pesquisa também mostrou que 68% dos brasileiros pretendem utilizar o abono natalino para pagar dívidas antigas. O percentual está maior do que no ano passado, que foi de 62%.

Entre aqueles que pretendem aplicar parte do 13º salário para cobrir despesas tradicionais de início do ano, como IPVA, IPTU e material escolar, estão 11% dos pesquisados.

A economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, Ana Paula Bastos, afirma que a tendência é que os gastos do consumidor neste ano com presentes para o Natal sejam iguais ou menores que os feitos em 2013.

No ano passado, boa parte das compras para a data mais aguardada pelo varejo no ano variou de R$ 75 a R$ 100. “Com o cenário macroeconômico pouco favorável, com inflação e juros altos, o primeiro plano é pagar as dívidas”, declara a economista.

Para ela, muitos consumidores vão optar por comprar os presentes no cartão de débito ou em dinheiro. “Quem for parcelar, deve optar por dividir em poucas vezes”, diz.

Natal magro

Comparação. Dos países da América Latina analisados pela consultoria Deloitte, Chile, Argentina, México, Colômbia e Peru, o Brasil ocupou a primeira posição na intenção menor de gastos.

Com 13º, MG recebe mais de R$ 14 bi A economia mineira deverá receber até o final de 2014 cerca de R$ 14,2 bilhões proveniente do abono salarial, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Minas conta com cerca de 9% do total do Brasil e 17,7% do Sudeste. O recurso, porém, pode não chegar para todos, já que segundo estimativa da Associação Mineira de Municípios (AMM), cerca de 600 das 853 prefeituras mineiras terão dificuldades para pagar o 13º salário do funcionalismo neste ano.

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