Argentinos voltarão à Justiça

Executivos destituídos de seus cargos devem apresentar ações individuais e cobrar danos morais

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Conflito. Comando da empresa é alvo de disputa entre dois acionistas, a Nippon Steel e a Ternium
usiminas/divulgação
Conflito. Comando da empresa é alvo de disputa entre dois acionistas, a Nippon Steel e a Ternium

A novela da disputa dois principais acionistas da Usiminas, a japonesa Nippon Steel e a argentina Ternium, está longe de terminar. E pode envolver mais batalhas judiciais, conforme uma fonte próxima da sócia argentina, que pediu para não ter o nome revelado pela reportagem. Dessa vez, as ações serão feitas individualmente pelos executivos que foram prejudicados com o afastamento dos seus cargos, em setembro deste ano. “O teor das ações ainda está sendo estudado, mas sei que envolve questões relacionadas à honra. Logo, deve envolver danos morais. As ações serão contra os conselheiros que votaram pela destituição”, diz.

No começo deste mês, a Ternium informou ao mercado que irá adotar “todas as medidas judiciais cabíveis para promover a responsabilização de Paulo Penido”, que é presidente do conselho de administração da Usiminas, em relação à destituição dos três executivos: o então presidente, Julián Eguren, além do diretor vice-presidente de subsidiárias, Paolo Basset, e o diretor vice-presidente industrial, Marcelo Chara.

Além das ações que estão sendo articuladas e que podem ser propostas em breve na Justiça, a Ternium busca na Justiça a reversão da destituição dos três diretores. Os advogados da sócia argentina da siderúrgica já impetraram um recurso na segunda instância, mas o pedido de antecipação de tutela foi negado. Agora, a expectativa está no julgamento pelos desembargadores da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Além da Justiça, a Ternium mantém processos no âmbito da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A acionista argentina argumenta que houve quebra do acordo de acionistas, que previa que uma destituição só poderia ocorrer se houvesse consenso. Já a Nippon afirma que houve irregularidade no recebimento dos bônus e que por isso houve quebra de confiança.

A fonte informou que não houve má-fé dos executivos que receberam os bônus e que o dinheiro pago a mais já foi devolvido. Em uma das entrevistas, o presidente do conselho de administração da Usiminas, Paulo Penido, alega que auditorias confirmaram as irregularidades e que só parte do dinheiro foi devolvida.

Participação

Acionistas. O grupo T/T (Ternium, Siderar e TenarisConfab) tem 38% do capital votante da Usiminas, percentual que aumentou em outubro. A Nippon 29,45%, e a Previdência Usiminas, 6,75%.

Saiba mais

Na reunião do conselho da Usiminas de 25 de setembro, que tratou do afastamento dos três executivos, houve empate em 5 a 5 na votação.

O desempate foi pelo voto de minerva do presidente do conselho de administração, Paulo Penido.

A próxima reunião do conselho de administração da siderúrgica está prevista para acontecer no dia 27 de novembro.

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