Muito antes do Cavaleiro das Trevas

Série aborda os primeiros passos de James Gordon na luta contra o crime

iG Minas Gerais | fabiano fonseca |

Contradições. Parceiros, Gordon e Harvey Bullock travam também uma disputa ideológica no trabalho
CW/Divulgação
Contradições. Parceiros, Gordon e Harvey Bullock travam também uma disputa ideológica no trabalho

A julgar pelo estrondoso sucesso – de público e renda – dos filmes de super-heróis, nada mais natural que a televisão embarcasse nesse rumo, ao levar para a telinha o universo dos quadrinhos.

Dessa forma, a grande aposta da DC Comics atende por “Gotham”, série exibida no Brasil pelo Warner Channel, às segundas-feiras, às 22h30. A produção investe no que poucas vezes os próprios quadrinhos de Batman já abordaram: os desdobramentos que levaram a cidade ao fundo do poço, a ascensão do crime organizado, tornando-a um terreno fértil para o surgimento de vilões psicopatas e ardilosos – que naturalmente vão determinar a criação (e ação) do justiceiro de capa preta.

Centrada no jovem detetive James Gordon (Ben McKenzie) e em seu parceiro, Harvey Bullock (Donal Logue), “Gotham” tem como ponto de partida o assassinato de Thomas e Martha Wayne na frente do filho Bruce (David Mazouz). O crime desencadeia uma espécie de insanidade na cidade, com a criminalidade em escalada em todas as camadas da sociedade de Gotham City.

Idealista e incorruptível (até onde as circunstâncias de uma cidade tão podre permitem), Gordon vai à luta. Ao seu lado está Bullock, um policial com uma reputação nada boa, que entende bem como funciona o jogo na sombria Gotham.

As contradições entre a dupla são um dos pontos mais interessantes abordados nos episódios da série. Enquanto Jim Gordon tenta se ater aos seus ideais de justiça, ele percebe que, mesmo para alcançá-la, precisa de alguma forma fazer vista grossa aos mesmos ideais – e ninguém melhor que Bullock para fazê-lo entender que em Gotham a coisa é bem diferente.

Vilania. No meio de tudo isso, vem a grande sacada da produção: o surgimento dos inúmeros vilões do universo do Homem-Morcego. De cara, “Gotham” apresenta e dá dicas do que vem por aí. Ao trazer à luz, de uma só tacada, personagens como Selina Kyle (Camren Bicondova), Edward Nygma (Cory Michael Smith), Crispus Allen (Andrew Stewart-Jones), entre outros, a série anuncia que Mulher-Gato, Charada e Espectro vêm por aí, e se saberá como eles ascendem nesse universo.

Nesse sentido, o principal investimento criminal desta primeira temporada de “Gotham” – que terá um total de 22 episódios – se chama Oswald Cobblepot, o Pinguim. O ótimo Robin Lord Taylor encarna um dos principais antagonistas de Batman.

Frio, pálido, inteligente e um tanto frágil, Cobblepot faz um jogo perigoso entre a trinca de mafiosos que domina o crime organizado de Gotham: Don Carmine Falcone (John Doman), Salvatore Maroni (David Zayas) e Fish Mooney (Jada Pinkett Smith). Sabemos que, em algum momento, Gotham estará em suas mãos. E o caminho do Pinguim é o grande atrativo.

Talvez seja essa a questão de “Gotham” ser atrativa e promissora. Afinal, já podemos esperar o que vem por aí. E o que vem por aí é Duas-Caras e, principalmente, Coringa!

Construção de um herói. Mesmo que o foco da série esteja na luta de um jovem Jim Gordon contra o crime, no surgimento de vilões e na decadência de uma cidade, pensar em Gotham City sem Batman não faz muito sentido.

É por isso que “Gotham” não se esquiva em explorar como o pequeno Bruce Wayne vai lidando com a cruel perda dos pais, o medo de viver naquele ambiente e um emergente sentimento de justiça e vingança que vai amadurecendo em sua mente.

Auxiliado por um rígido Alfred (Sean Pertwee), aqui em sua versão mais viril, Bruce já começa a canalizar sua raiva e medo e transformá-la em coragem, desenvolvendo também uma amizade promissora com o detetive James Gordon. Esse aspecto, em particular, por si só dá indícios do potencial longevo de “Gotham” na TV: ela só termina no dia em que o Cavaleiro das Trevas surgir.

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