Sírios são líderes em ranking de refugiados vivendo no Brasil

Governo facilitou entrada dos árabes devido a guerra civil, que ocorre desde 2011

iG Minas Gerais |


Brasil se destaca por oferecer visto humanitário para refugiados sírios
K.Fusaro / ACNUR
Brasil se destaca por oferecer visto humanitário para refugiados sírios

BRASÍLIA. A partir deste ano, os sírios tornaram-se a principal nacionalidade dos refugiados no Brasil, superando os colombianos. Segundo dados até outubro de 2014, os sírios representam quase 21% do total de 7.289 refugiados em território nacional, totalizando 1.524 pessoas.

Para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, o principal motivo para a mudança foi a adesão do país vizinho a acordo do Mercosul que permite aos colombianos morar no Brasil sem vínculo de trabalho ou de estudo – brasileiros passaram a ter o mesmo benefício na Colômbia. O Brasil ainda facilitou a entrada no país de quem solicita refúgio em decorrência do conflito sírio.

Após a Síria, os principais países de origem dos refugiados são Colômbia (1.218), Angola (1.067) e República Democrática do Congo (784). Ao todo, os atuais refugiados no país pertencem a 81 nacionalidades distintas.

Os dados, divulgados ontem, indicam ainda um crescimento de 930% das solicitações de refúgio de 2010 a 2013. Do ano passado até hoje, o crescimento foi menor, chegando a 41,1% .

Para Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), essa evolução indica uma “melhoria da visibilidade internacional” do Brasil. “(Os solicitantes de refúgio) acreditam que temos instituições suficientemente fortes, legislações que garantam direitos humanos e solidariedade de um povo que lhes acolhe bem”, afirmou em coletiva de imprensa.

A maioria das solicitações de refúgio foi feita em São Paulo (26%), seguido de Acre (22%) e Rio Grande do Sul (17%). A região Sul, no entanto, concentra o maior percentual de solicitações (35%). Até setembro deste ano, o Conare analisou 2.200 casos – em 2013 foram 1.500.

A solicitação é atendida em casos de perseguição por motivo de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas.

Empenho brasileiro. No início de dezembro, a proteção de refugiados estará na pauta de encontro ministerial em Brasília, com participação de 33 países da América Latina e Caribe. A intenção é atualizar a declaração aprovada em Cartagena, na Colômbia, há 30 anos.

“É um momento político em que a situação global do refúgio estará na pauta dos países envolvidos. (...) Esse documento terá um compromisso da região de erradicar situações de apatridia nos próximos dez anos, até 2024”, disse Abrão.

Haitianos

Caso a parte. Os dados não incluem os haitianos, que recebem visto de residência permanente por razões humanitárias. Desde 2010 cerca de 39 mil haitianos entraram no Brasil, segundo a Polícia Federal.

Apoio Brasil se destaca. De acordo com o Acnur, o Brasil é o principal doador para operações humanitárias da agência, considerando o universo de países emergentes. Doações. Em 2013, foram doados US$ 1 milhão para operações internacionais da Acnur. Em 2012 e 2011, os valores chegaram a US$ 3,6 milhões e US$ 3,75 milhões, respectivamente. Queda. Apesar do Brasil estar no topo desse ranking, houve queda expressiva de doações do país no ano passado.

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