Centro terá fiscalização noturna contra camelôs

Prefeitura quer evitar que revendedores se infiltrem entre os artesãos

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Análise. Prefeitura estuda até permitir que artesão ocupem outras áreas que não atrapalhem as lojas
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Análise. Prefeitura estuda até permitir que artesão ocupem outras áreas que não atrapalhem as lojas

A Prefeitura de Belo Horizonte vai estender os turnos dos fiscais do hipercentro para que possam coibir a ação de camelôs também durante a noite. O Executivo percebeu que a ação de vendedores ambulantes têm aumentado após as 18h, quando termina o expediente dos agentes. Ainda não há uma data específica para o início da ação, mas ela deve ser implementada antes do período natalino. O foco da prefeitura não é combater os artesãos, mas sim os revendedores de mercadorias que se infiltram entre os hippies da praça Sete.

A ação surge depois de comerciantes terem reclamado que cresceu o número de ambulantes na área central, principalmente após as 18h, o que estaria prejudicando as vendas. “Nós vamos mudar a atuação da fiscalização para que os fiscais trabalhem até um pouco mais tarde, ou até criarmos um turno noturno. Neste fim de ano, as lojas ficam abertas até mais tarde, o que cria uma movimentação maior de pessoas nessas áreas, e os ambulantes tentam se aproveitar disso”, afirmou o secretário municipal de Serviços Urbanos, Pier Senesi, durante reunião, nesta terça, na Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) para discutir a segurança no hipercentro. Senesi informou que cem fiscais atuam hoje na área central, mas que há possibilidade de reforço com profissionais de outras regionais. Hippies. Enquanto o rigor vai aumentar com relação aos ambulantes, a prefeitura estuda não mais retirar os hippies, artesãos e indígenas do quarteirão fechado da Rio de Janeiro, na praça Sete. No mês passado, a prefeitura editou portaria proibindo a presença deles nesse local e criando outras duas áreas para exposição – o quarteirão fechado da rua dos Carijós com Espírito Santo e a praça Rio Branco, em frente à rodoviária. Mais de um mês depois, nada mudou, e os artesãos continuam no local, sem ser importunados pela fiscalização. O secretário Pier Senesi explica que não há vista grossa, mas bom senso. “Existe a portaria, mas nós temos que trabalhar com a observação da cidade. Parece que onde eles estão hoje não está causando transtornos. Estamos analisando o movimento da cidade para fazer as adequações necessárias. O nosso foco é não permitir que pessoas se infiltrem entre os artesãos para vender produtos contrabandeados”, afirmou. Já os comerciantes estão irritados com a permanência dos artesãos no local. O coordenador da regional Hipercentro da CDL-BH, Jonísio Lustosa, reclama que eles atrapalham as vendas e demonstra preocupação com o remanejamento de onde poderão expor. “Ninguém quer ir comprar em um lugar que tem vários hippies na porta da loja. Isso incomoda os clientes. Agora também não adianta tirar eles da Rio de Janeiro e levá-los para atrapalhar o comércio em outro local. Essa remoção tem que ser bem estudada para que seja uma solução definitiva”, critica.

Pesquisa Medo. Um levantamento da CDL-BH revelou que 40% dos lojistas do hipercentro de Belo Horizonte temem ser alvo de assaltos ou arrombamentos. Foram entrevistados 200 comerciantes.

Segurança

Operação Natalina. A Polícia Militar prepara a ação para reforçar o policiamento no centro. Como há maior circulação de pessoas e de dinheiro no fim de ano, haverá uma presença maior do efetivo nas ruas. 

Recém-formados. Os soldados que se formaram neste mês vão permanecer em Belo Horizonte para auxiliar no reforço do policiamento. Durante o estágio, que durou 15 dias, 600 dos 1.900 policiais em formação atuaram no hipercentro, que, em dias comuns, conta com mil militares. Ainda não há informação se os mesmos 600 continuarão na operação Natalina. Redução. Mesmo sem ter estatísticas sobre a criminalidade na região, o major Gedir Rocha, subcomandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, afirma que houve uma queda nos crimes na região. “O centro de Belo Horizonte está sendo revitalizado, e isso ajuda o trabalho da polícia. Com o Move nas avenidas Paraná e Santos Dumont, aumentou a circulação de pessoas, o que inibe os crimes”, afirmou o militar.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave