Uso de energéticos por crianças provoca dor no peito e convulsão

Estudo publicado nos EUA alerta para descontrole no consumo da bebida

iG Minas Gerais |

Riscos. Crianças com problemas de saúde, como doenças cardíacas, são ainda mais vulneráveis aos energéticos
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Riscos. Crianças com problemas de saúde, como doenças cardíacas, são ainda mais vulneráveis aos energéticos

Detroit, EUA . Há alguns anos o mundo acadêmico tem se dedicado a avaliar os impactos do uso crescente de energéticos no corpo humano. Estudos já comprovaram que os malefícios são muito maiores do que o aumento da disposição provocado por ingredientes como cafeína, taurina e outros.

No último domingo, um novo trabalho foi apresentado na reunião anual da American Heart Association, em Chicago, e reforça a ideia de que as bebidas energéticas não são seguras para crianças e devem ter advertências explícitas sobre os riscos, disse Steven Lipshultz, presidente do Conselho de Pediatria da Universidade Estadual de Wayne, em Detroit. Segundo ele, pessoas de todas as idades com problemas de saúde devem ser cautelosos com bebidas que contêm teores altos de cafeína, disse ele.

“A exposição às bebidas energéticas é um problema de saúde constante”, disse Lipshultz. Ele também é diretor de pediatria do Hospital Infantil de Michigan.

O especialista alerta que, diferentemente do que se pensa, não são adolescentes ou jovens adultos apenas que consomem energéticos. Segundo ele, mais da metade das ligações realizadas aos centros de controle de intoxicações envolveu exposições acidentais de crianças com menos de 6 anos de idade.

Os pesquisadores analisaram todas as 5.156 ligações realizadas aos centros de controle de intoxicações de outubro de 2010 a setembro de 2013 relativas a bebidas energéticas. A maioria das ligações referentes a crianças com menos de 6 anos deveu-se a ingestão acidental. Quase um terço apresentou sintomas graves que necessitaram de tratamento, inclusive tremores ou convulsões, náusea e vômito ou dor no peito e ritmo cardíaco irregular.

A Food and Drug Administration dos EUA começou uma investigação sobre bebidas energéticas com cafeína em 2012, após registrar-se um aumento dos casos relativos a elas nas emergências hospitalares. A American Medical Association solicitou a restrição das vendas a pessoas com menos de 18 anos. Pesquisas anteriores mostraram que essas bebidas podem aumentar a pressão arterial e provocar arritmia.

Mais vulneráveis. Crianças pequenas, especialmente as que têm outros problemas de saúde, como doenças cardíacas ou convulsões, podem ser particularmente vulneráveis. Condições mais comuns e menos evidentes, como predisposição à diabetes ou ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), podem tornar as pessoas mais sensíveis às bebidas, principalmente se elas estiverem tomando remédios, disse Lipshultz.

Quem já passou da adolescência também pode correr riscos. Consumidores com 20 anos ou mais apresentaram mais probabilidade de registrar efeitos colaterais graves, especialmente se combinarem essas bebidas com bebidas alcoólicas, de acordo com a pesquisa.

Algumas das bebidas são vendidas como complementos alimentares e não são reguladas com rigidez. Por causa disso, pode ser difícil saber o teor real de cafeína que elas contêm. Algumas incluem cafeína em pó, além da cafeína de plantas e outras fontes, disse Lipshultz em entrevista por telefone. O dano real provocado por essas bebidas pode ser muito maior. Um relatório do Instituto de Medicina estima que menos da metade do total de casos de intoxicação nos EUA é informado ao Sistema Nacional de Dados de Intoxicações. “Essas bebidas não devem fazer parte da alimentação de crianças e adolescentes e não deveriam ser vendidas a menores de 18 anos”, disse Lipshultz.

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