Os novos líderes políticos entre a direita e a esquerda

iG Minas Gerais |

Um primeiro fenômeno ronda as democracias ocidentais: o surgimento de jovens na casa dos 40 e 50 anos, bem-apessoados, ricos (os “coxinhas” do linguajar preconceituoso da esquerda brasileira), que vêm granjeando forte apoio em recentes eleições. Se repararmos bem, há um fio condutor nos bons desempenhos de quem se candidatou a presidente, tais como Aécio Neves, no Brasil, e Luis Lacalle Pou, no Uruguai, ou que proximamente se candidatarão, como Maurício Macri, hoje governador de Buenos Aires. As mesmas posturas e o mesmo ideário os unem. Nada muito diferente de seus correspondentes europeus, a saber, os atuais primeiros-ministros de Portugal, Passos Coelho; do Reino Unido, David Cameron; da Holanda, Mark Rutte; da Noruega, Erna Solberg; ou da Espanha, Mariano Rajoy, entre outros. Da Itália vem o mais novo agregado à turma, Matteo Renzi. À espera de oportunidade, vai despontando Bernd Lucke, de 52 anos, fundador do partido Alternativa para a Alemanha. Como “hors concurs”, evidentemente, Mariane Le Pen, da Frente Nacional, na França. Se olharmos para o outro lado do Atlântico, a história se repete. Entre os muitos senadores eleitos há pouco pelo Partido Republicano, impressiona o número dos aprumados em tenra idade. Seis dos 11 republicanos eleitos têm menos de 60 anos. Mais do que a forte oposição à imigração, a crítica aos “políticos populistas, oportunistas, clientelistas e corruptos”, ou a restauração de tradicionais simbolismos da civilização “cristã”, unem-nos a motivação ideológica do individualismo possessivo e a crença na necessidade de adaptação da democracia ao mercado. Aonde conseguirão chegar? Ainda não se pode prever. Salta aos olhos a negligência, em suas propostas, com a grave crise ambiental e a forma desdenhosa com que lidam com a subordinação de tudo – “diktat” – ao sistema financeiro. Uma pergunta se impõe: por que esse objetivo de substituir o fracassado neoliberalismo inaugurado nos anos 70 por mais neoliberalismo? A esquerda, envelhecida (no linguajar preconceituoso da juventude de direita, os “petralhas”), por seu turno, parece ter perdido o eixo. Só poderá constituir uma maioria capaz de deter o avanço de uma solução neoliberal se for capaz de constituir-se de forma radicalmente democrática, fazendo de cada eleitor um cidadão qualificado, sujeito político ativo nos processos decisórios, e convencer a todos da urgência de um desenvolvimento ecologicamente sustentável. Mas vêm da Europa indícios auspiciosos, surgidos de movimentos modernos como o dos “indignados” na Espanha: em apenas nove meses de vida, o partido Podemos, dirigido pelo jovem de 36 anos Pablo Iglesias, virou uma ameaça para os carcomidos partidos tradicionais. A Iglesias se junta o líder grego Alexis Tsipras, do partido Syriza. Todos, caras novas que inauguram uma nova política. Oxalá esse vento de mudança venha a soprar no Brasil.

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