Em seminário, especialistas criticam formação de atletas no Brasil

Caso haja avanço, debatedores afirmam que bons resultados só devem ser vistos a partir das Olimpíadas de 2024

iG Minas Gerais | DIEGO COSTA |

Mediado pelo jornalista Marcelo Barreto,  do SporTV, debate reuniu importantes nomes do esporte olímpico brasileiro
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Mediado pelo jornalista Marcelo Barreto, do SporTV, debate reuniu importantes nomes do esporte olímpico brasileiro

A base do esporte olímpico brasileiro foi um dos principais temas no primeiro dia do Seminário de Gestão do Esporte. Em sua segunda edição, o evento começou na manhã desta terça-feira, no Minas Tênis Clube. Com programação gratuita, reúne dirigentes, atletas, ex-atletas e autoridades com o intuito de discutir também a preparação para os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

Em um dos debates, intitulado 'Painel SporTV: o legado de uma medalha olímpica', os especialistas apontaram um déficit ainda considerável na formação de atletas no Brasil.

“Nos últimos dez anos esqueceu-se da base. Há apresentações lindíssimas sobre as estruturas dos eventos (Jogos Rio 2016), mas faltou gente crescendo dentro da cultura do esporte. Não existe isso”, disse Lauter Nogueira, comentarista do canal SporTV, com vasta experiência no atletismo.

O técnico da seleção brasileira masculina de basquete, Rubén Magnano, vê um cenário semelhante da modalidade no país. Ele entende que é preciso expandir a prática nas escolas.

"Quando se fala da base, já estamos olhando para o futuro, pois 2016 é amanhã. O Brasil deve e tem que melhorar. Temos muito poucos atletas jogando basquete, poucos clubes, poucos jogos. Então, é uma coisa que tem de melhorar. Acho que o Brasil vai crescendo aos poucos, como no caso da sub-15, que foi campeã Sul-Americana. Mas precisamos aumentar a massa de gente que joga basquete", afirmou o argentino.

Medalhista na Olimpíadas de Seul (1988) e Atlanta (1996), o velejador Lars Grael acredita que o pós-Jogos Olímpicos do Rio de janeiro será o mais importante.

"No Brasil, um grupo sonhou em sediar as Olimpíadas em 2016, mas foi um sonho descoordenado com a sociedade. O Brasil não fez um planejamento a longo prazo, que visasse desenvolver o esporte no país, democratizar e qualificá-lo, para então chegar a um patamar de ser competitivo para sediar os Jogos. Estamos fazendo as Olimpíadas pelo evento. É importante para o país, mas tem um custo, que a nação paga. Acho que não adianta lamentar o que ficou para trás, mas sim corrigir daqui para frente", disse o competidor das classes Star e Oceano, da Vela.

"O importante é entender que o esporte brasileiro não tem como único, e grande meta, os Jogos de 2016. Se for esse o nosso raciocínio, não vejo o menor futuro do esporte olímpico e paralímpico brasileiro, servirá para avaliar se o rumo está correto. É uma etapa importante de projeção esporte brasileiro, mas tem de ter investimentos contínuos para que, após 2016, não volte a ser apenas o país do futebol. Ter um apoio gradual para que a gente possa sonhar a ser uma potência olímpica no futuro", completou Grael.

No caminho contrário, o boxeador profissional Yamaguchi Falcão se mostrou confiante com o cenário que a modalidade terá em 2016.

"O boxe tem a base, bons centros de treinamentos. Tenho certeza que vira muito forte. Não serão somente três medalhas que conquistaremos, mas serão seis. Vai mostrar o fruto desse trabalho", destacou o medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Ao lado do irmão, Esquiva Falcão, Yamaguchi se tornou profissional e não vai representar o Brasil nos Jogos do Rio de Janeiro.

O jornalista Marcelo Barreto, também do canal SporTV, foi o mediador do debate.

A programação segue nesta quarta-feira. Para assistir aos debates é necessário fazer a inscrição no site: www.seminariodoesporte.com.br. No endereço eletrônico, também é possível conferir outras informações sobre o evento.