Jornal é condenado por chamar juiz de ‘caloteiro’

iG Minas Gerais |

 
Magistrado é o mesmo que deu voz de prisão à agente da Lei Seca que disse que “juiz não é Deus”
Marcio Alves / Agencia O Globo
Magistrado é o mesmo que deu voz de prisão à agente da Lei Seca que disse que “juiz não é Deus”

Rio de Janeiro. A 11ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou o jornal “O Globo” e o jornalista Ronaldo Braga a pagarem uma indenização de R$ 18 mil ao juiz João Carlos de Souza Correa, o mesmo que deu voz de prisão à agente da Lei Seca Luciana Tamburini após ser parado em uma blitz, em 2011.

A decisão da juíza Lindalva Soares Silva foi publicada na última quinta-feira, um dia depois de os desembargadores da 14ª Câmara Cível negarem por unanimidade o recurso de Luciana e manterem a determinação de indenização a Correa em R$ 5.000 por ter afirmado que “ juiz não é Deus”. O caso ganhou repercussão nacional, e uma advogada paulista lançou uma vaquinha online, que, em uma semana, arrecadou mais de R$ 27 mil para a agente.

O objeto da ação contra o jornal é uma matéria de Ronaldo Braga publicada no dia 17 de fevereiro de 2011, que trazia o título “Juiz dá calote e tenta prender cobrador”. Ao noticiar a confusão, o jornal fez um histórico de polêmicas nas quais o magistrado esteve envolvido. Um dos fatos teria ocorrido em 2006, quando o juiz, de acordo com “O Globo”, deu voz de prisão a funcionários da empresa de energia Ampla que foram até a sua residência para, por falta de pagamento, cortar o fornecimento da eletricidade.

Correa se sentiu ofendido e pediu inicialmente uma indenização de R$ 100 mil. A juíza deu ganho de causa para o colega dizendo que “(...) o dever de informar, mesmo que, para a imprensa, seja verídico, não pode ser transmitido com emprego de linguagem agressiva de caloteiro”. As informações são do portal Uol.

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