São Francisco não depende só de chuva para se salvar

Especialista diz que degradação ambiental agrava problemas

iG Minas Gerais | Janine Horta |

Rio das Velhas. Vazão baixa aumenta poluição e pode prejudicar captação em Sete Lagoas
LEO FONTES / O TEMPO
Rio das Velhas. Vazão baixa aumenta poluição e pode prejudicar captação em Sete Lagoas

 

A situação de penúria dos rios São Francisco e Velhas não tem volta no curto prazo. A recuperação do volume de água dessas bacias não depende apenas da estação chuvosa, mas, sim, de medidas de gestão integradas para a recuperação ambiental como um todo. O alerta foi feito pelo coordenador geral do Projeto Manuelzão e do Comitê de Bacias do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, no workshop “Water Crisis” – a Crise nas Águas, que começou ontem na UFMG.

“Essa crise vem sendo gestada há muito tempo. A situação que se tem hoje, em que alguns trechos dos dois rios estão quase secos e até se pode andar a pé dentro deles, não aconteceu da noite para o dia, ou somente na seca deste ano. A chuva tem se tornado mais escassa ano a ano em Minas Gerais. E a degradação ambiental já vem de longo tempo. Faltou interesse político para evitar isso”, diz o professor.

Sete Lagoas ameaçada. De acordo com trabalho de pesquisa concluído este ano por estudantes de medicina orientados pelo professor Polignano, a degradação do rio das Velhas na região metropolitana de Belo Horizonte é tão intensa que pode inviabilizar, em dois anos, a nova captação que o serviço municipal de águas de Sete Lagoas está acabando de construir na cidade. Além da seca, condições como assoreamento pelo desmatamento, atividades mineradoras, despejo de esgoto industrial e doméstico nas nascentes do rio fazem com que o rio esteja com uma vazão muito baixa em alguns trechos. O nível baixo da água e com grande poluição concentrada, favorece a proliferação de cianobactérias, um tipo de algas que inviabiliza a captação de água, pois podem ser altamente tóxicas se ingeridas.

Reunião

Extrema. Amanhã, Extrema vai sediar um debate com usuários mineiros e paulistas dos rios Atibaia, Camanducaia e Jaguari, sobre regras de captação. Hoje, o evento será em Campinas (SP). 

Gerenciamento

“É preciso gerenciar os múltiplos usos da água. Em Três Marias, isso vem sendo feito desde fevereiro. Três Marias está no seu pior nível da história mas, a despeito da crise, todos foram atendidos, só houve prejuízos maiores para o turismo, o que era inevitável”

Marcelo de Deus Melo - Cemig

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