Petrobras vai abater dos seus ativos o custo da corrupção

Tudo o que foi pago a mais ou tem relação com propina será baixado dos balanços ano a ano

iG Minas Gerais |

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set. 2014
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RIO DE JANEIRO. A presidente da Petrobras, Graça Foster, e o diretor financeiro Almir Barbassa informaram ontem como serão calculadas as perdas no balanço da empresa com base nas conclusões das investigações de corrupção na estatal. Os ajustes, diz o diretor, serão feitos retirando do valor do ativo qualquer quantia que seja relativa à propina. Ou seja, explica Barbassa, a ideia é fazer com que o ativo imobilizado (ativo da companhia) tenha um valor justo.

“Se houve pagamento acima do que é justo, esse valor deve ser retirado do que foi investido e levado para o resultado. É retirar dele (ativo) qualquer valor relativo a propina”, comentou ele, em teleconferência com analistas, destacando que o ajuste não inclui os questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Você é obrigado a baixar do valor do ativo o custo relativo à corrupção. É lei. Tem que baixar. Tem que retirar”, disse Graça.

Segundo a presidente da estatal, a referência oficial para esses ajustes são os depoimentos feitos à Justiça. “É o que o juiz tem chamado de provas emprestadas, que são encaminhadas à Petrobras pela Polícia Federal para que as baixas sejam feitas ano a ano”.

Vai à Justiça. Graça destacou que vai buscar a reparação das perdas: “Onde houver identificação de prejuízo, vamos buscar esse prejuízo. O jurídico já vem trabalhando e nós vamos buscar os prejuízos para que haja retorno para o caixa da companhia. Temos sido bastante cobrados pelo Conselho para ter de volta o que pagamos além do normal e além do razoável”, afirmou a executiva.

Graça disse que vai perseguir o cumprimento dos prazos para que o balanço seja publicado com o parecer dos auditores da PwC, que se recusaram a validar a demonstração de resultados da empresa em função das denúncias de corrupção. “Temos pessoas dedicadas a isso, sobre essas baixas que deveremos possivelmente fazer em nossos projetos e aquisições. Do mesmo jeito que perseguimos nos últimos meses o aumento da produção, estamos prosseguindo com os trabalhos para ter nosso balanço auditado”, disse Graça. A Petrobras pagará multa de R$ 500 por dia de atraso na apresentação do balanço. O prazo venceu na última sexta-feira.

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