Hidrelétrica fica na mira da PF

Polícia quer saber se esquema criminoso também atuou em obra de Jirau, em Rondônia

iG Minas Gerais |

Financiamento. Obra de Jirau recebeu R$ 7,2 bilhões em recursos do BNDES para a sua execução
CRISTIANO TRAD / OTEMPO
Financiamento. Obra de Jirau recebeu R$ 7,2 bilhões em recursos do BNDES para a sua execução

CURITIBA. A Polícia Federal investiga se o esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef alcança também negócios no setor elétrico. Nas investigações da operação Lava Jato, os agentes encontraram na mesa de João Procópio de Almeida Prado, acusado de ser o braço direito do doleiro, uma planilha identificada como “Demonstrativo de Resultado – Obra Jirau”, com a contabilidade da Camargo Corrêa na obra da hidrelétrica construída no rio Madeira, em Rondônia, com financiamento de R$ 7,2 bilhões do BNDES. A empreiteira foi sócia do consórcio que arrematou a concessão até 2012, quando vendeu sua participação.

Segundo o Ministério Público Federal, Prado era o elo do esquema de Youssef com a Camargo Corrêa. Ele é concunhado de João Ricardo Auler, presidente do conselho de administração da Construções e Comércio Camargo Corrêa, um dos presos pela PF.

Youssef disse à Justiça que Auler foi seu principal contato na empreiteira antes de Eduardo Hermelino Leite, atual vice-presidente da empresa, preso preventivamente. Leite é o único executivo de empreiteira, até agora, que foi acusado pelo doleiro de ficar com parte da propina a ser dividida com os políticos. Procurada, a Camargo Corrêa informou que o “sr. João Procópio jamais prestou serviços” para a construtora e que desconhece a planilha.

Segundo o MPF, Prado era de extrema confiança do doleiro. Operava as contas no exterior, controlava depósitos e pagamentos fora do Brasil e era também encarregado da abertura de offshores, em nome dele ou de terceiros. Entre os dias 3 e 13 de março passado, Prado, Youssef e Leonardo Meirelles movimentaram € 1,06 milhão de uma conta da Elba Services, na Suíça, para a DGX Import, em Hong Kong.

Youssef afirmou que o primeiro contato que teve com a Camargo Corrêa foi acompanhando o ex-deputado federal José Janene, do PP, um dos flagrados no mensalão e que faleceu em 2010. A reunião foi com João Auler.

A Camargo Corrêa participou de duas grandes obras da Petrobras investigadas na Lava Jato: modernização da Repar, com sobrepreço apontado pelo TCU de R$ 633 milhões, e da unidade de coqueamento da refinaria Abreu e Lima, com danos ao erário já identificados de R$ 613,2 milhões. A Camargo Corrêa também fez repasses de R$ 2,875 milhões para a Costa Global, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Negócios

Próximo. Para o MPF, é estreita a ligação de alguns dos principais executivos de empreiteiras com Youssef. Os mais próximos do doleiro seriam Leite, da Camargo, Ricardo Pessoa, da UTC/Constram, e Mateus Coutinho, da OAS.

Ajuda. Em depoimento, a contadora do doleiro, Meire Poza, disse que, em março, ela e Prado ficaram responsáveis por buscar dinheiro na Camargo Corrêa e na UTC para pagar advogados dos presos ligados ao doleiro. A UTC teria se comprometido a pagar os advogados de Enivaldo Quadrado e Carlos Alberto da Costa.

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