O ganha e perde da presidente

iG Minas Gerais |

Difícil prever se a enxurrada de óleo do petrolão terá força suficiente para subir até o terceiro andar do Palácio do Planalto. Mas o palpite de momento é que não, isso baseado nas informações que vieram a público até agora e em outros escândalos notórios. Se o nível começar a se elevar, a turma da blindagem vai atuar; se a sujeira entrar por debaixo da porta do gabinete, darão um jeito de tirar sua ocupante de lá a tempo. Talvez não seja o caso de tanto. Assim como Lula sobre o mensalão, deveremos morrer sem saber se Dilma tinha conhecimento prévio dos desvios na Petrobras. E a estratégia que ela adota para se imunizar das manchas já conta a seu favor. Desde a eleição, a presidente se coloca como principal endossadora das ações da Polícia Federal na investigação do caso. Por último, da Austrália, enalteceu a nova fase da operação Lava Jato como símbolo de uma empreitada institucional inédita no combate à impunidade que, na história, sempre favoreceu os mais endinheirados. Dilma, antes pressionada contra as cordas por ter aliados citados como beneficiários do esquema, passa a capitalizar politicamente os efeitos das ações da PF. Se as próximas revelações nada trouxerem que a desabone, permitindo-lhe manter o tom combativo, mais fácil será que ela saia como heroína dessa história. Quando, no primeiro ano de governo, Dilma foi levada a sangrar quase um ministro por mês em média, todos eles metidos em denúncias graves, sua popularidade chegou a aumentar. O discurso de quem não compactua nem transige com os “malfeitos” e defende as investigações “doa a quem doer” acabou colando. Por que agora seria diferente? Indiretamente, contudo, o petrolão deve dificultar a vida do governo. Figuras poderosas da base aliada no Congresso serão formalmente enredadas como rés no processo. Assim como PT e PMDB, institucionalmente, terão que responder como supostos beneficiários dos rios de dinheiro que passaram pela estatal, originários das empreiteiras, para irrigar os comitês de campanha. Num Legislativo de composição de forças menos desigual e no qual a base tenderá a se fragilizar, as lutas governistas serão sofridas. É nesse aspecto relativo que Dilma tende a penar no início de seu segundo governo. Já a imagem pessoal da presidente, repetindo, pode permanecer incólume. Tem muita força o casamento do discurso pelo fim da impunidade, ainda que malandramente bem temperado, com as imagens de empreiteiros e ex-diretores da Petrobras algemados. Aquece o coração de todos nós, tolos que temos sede de justiça. Os verdadeiros donos do Brasil dormem na carceragem desde a última sexta-feira. Por lá não ficarão por muito tempo mais. Porém quem há de dizer que não é emblemático ver empreiteiros do primeiro time nessa situação? Somos sedentos por símbolos como por palavras que aquecem a alma. 

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