Petrobras admite ter recebido confirmação de propina da SBM

Até então, a estatal não havia comunicado oficialmente que tinha recebido tal informação; empresa foi eliminada das licitações em maio

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

RJ - PETROBRAS/RESULTADOS OPERACIONAIS - GERAL - Presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster durante divulgação dos resultados operacionais do 3º trimestre de 2014 da Petrobras, em coletiva realizada no Rio de Janeiro (RJ), na manhã desta segunda-feira (17). 17/11/2014 - Foto: MARCELLO DIAS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
RJ - PETROBRAS/RESULTADOS OPERACIONAIS - GERAL - Presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster durante divulgação dos resultados operacionais do 3º trimestre de 2014 da Petrobras, em coletiva realizada no Rio de Janeiro (RJ), na manhã desta segunda-feira (17). 17/11/2014 - Foto: MARCELLO DIAS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A presidente da Petrobras, Graça Foster, admitiu, nesta segunda-feira (17), que já tinha, desde meados do ano, a informação de que a SBM Offshore fez pagamento de propina a "empregado ou ex-empregado da Petrobras", admitida pela própria fornecedora, sediada na holanda.

Até então, a Petrobras não havia comunicado oficialmente que tinha recebido tal informação. O que vinha sendo dito --e foi repetido na última sexta, quando a Petrobras voltou ao tema por meio de um comunicado-- era que uma comissão de apuração criada em fevereiro, quando as denúncias tornaram-se públicas, havia investigado internamente, durante 45 dias, mas nada havia sido descoberto. E que, depois disso, a apuração continuou, e relatórios complementares haviam sido enviados à Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal.

O comunicado da semana passada foi emitido no contexto do acordo fechado entre o Ministério Público holandês, que investigava o caso, e a SBM.

"Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é 'imediatamente', é que informamos a SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou. A SBM foi eliminada das licitações em maio.

Graça disse que não tem informação de quanto foi recebido nem de quem. "Fomos à Holanda, aos Estados Unidos, sem sucesso. Até hoje não sabemos nem nem quanto. Quem paga é a SBM quem paga não está participando das licitações", disse.

Pelo acordo fechado com o Ministério Público holandês, a SBM comprometeu-se a pagar US$ 240 milhões para encerrar as investigações. Em relatório, os procuradores holandeses dizem que a empresa não encontrou provas concretas de pagamento de propinas, mas as investigações do Ministério Público teriam confirmado tais pagamentos.

Na semana passada, o presidente da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, havia afirmado que as investigações do órgão levavam a "fortes indícios" de recebimento de propina por parte de seis diretores da Petrobras. Outros 14 funcionários estariam sob investigação. A CGU também abriu processo contra a fornecedora de plataforma.

Por enquanto, a SBM é a única empresa que parou de negociar com a Petrobras em decorrência de denúncias de corrupção, por ter admitido terem ocorrido as irregularidades. "De imediato isso é uma prova avassaladora. Se existe isso dito pela empresa, a empresa teve de esclarecer este ponto. Infelizmente, só teve a informação da semana passada, mas a empresa continua não atendendo a nós", disse o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Formigli.  

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