Colômbia suspende diálogo de paz com as Farc após sequestro de general

Presidente Juan Manuel Santos determinou o cancelamento da viagem de negociadores do governo que se reuniriam com membros da guerrilha

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

 O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, suspendeu no domingo (16) as negociações de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que começaram há dois anos em Cuba, depois do sequestro de um general e de outras duas pessoas, crimes atribuídos pelo governo à guerrilha.

"Amanhã (segunda-feira) os negociadores de paz viajariam para uma nova rodada de negociações em Havana. Vou determinar aos negociadores que não viajem e que se suspenda esta negociação enquanto o caso não ficar esclarecido e essas pessoas sejam libertadas", afirmou Santos.

A decisão de suspender os diálogos de paz com as Farc, que completariam dois anos na próxima quarta-feira (19), foi anunciada após uma reunião do presidente com a cúpula militar.

O encontro foi convocado em caráter de urgência após a divulgação da notícia do sequestro, no domingo, do general Rubén Alzate, comandante da Força Tarefa 'Titán' do Exército, com 2.500 soldados que combatem rebeldes das Farc e traficantes em uma remota área do departamento de Chocó.

Ao lado do general foram sequestrados o cabo Jorge Rodríguez Contreras e a advogada Gloria Urrego, coordenadora de Projetos Especiais da força tarefa, durante uma viagem de caráter civil para supervisionar um projeto energético.

Em Havana, líderes das Farc negaram ter envolvimento com ataques violentos de escalões inferiores.

Foi a primeira vez em 50 anos que a guerrilha sequestrou um general, segundo a mídia local. Soldados foram enviados para a área do sequestro, segundo Santos. O governo vai trabalhar com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para conseguir a libertação dos reféns.

Processo de paz

O governo de Santos e as Farc iniciaram há dois anos em Cuba um diálogo de paz para tentar acabar com um conflito armado de mais de 50 anos, mas sem decretar um cessar-fogo na Colômbia. Esta é a quarta tentativa de alcançar a paz com as Farc, a principal guerrilha do país e a mais antiga da América Latina, que conta oficialmente com 8.000 combatentes, essencialmente mobilizados nas zonas rurais.

Nesses dois anos, o processo de paz já havia sido suspenso em agosto de 2013 para a revisão de um plano do governo de colocar o acordo de paz em um referendo. As negociações foram retomadas dias depois.

Desde o início de 2012, o grupo rebelde, criado em 1964 para lutar por reforma rural, mas que atualmente está envolvido no tráfico de drogas, se comprometeu a não sequestrar civis, embora continuem a sequestrar militares, que consideram prisioneiros de guerra.

Ataques da guerrilha permanecem frequentes nas áreas que domina. Na semana passada, as Farc capturaram dois soldados após um confronto no nordeste da Colômbia e mataram dois membros de uma tribo indígena.

As Farc pedem por um cessar-fogo durante as negociações de paz, algo que Santos rejeita por temer que a guerrilha se reagruparia depois de uma série de derrotas para o Exército do país.

O atual processo com as Farc já alcançou consensos parciais em três dos seis temas na agenda: reforma rural, participação política da guerrilha e solução ao problema das drogas ilícitas.

Mas ainda faltam os temas mais complexos, como a indenização das vítimas e o abandono das armas. Também ainda deve ser definido um mecanismo para implementar e referendar decisões.

O sequestro

Segundo o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, às 15h30 o general Alzate solicitou um bote, depois seguiu para Las Mercedes, em uma zona rural da cidade de Quibdó, e quando desembarcou foi surpreendido por homens armados com fuzis.

O soldado que manejava o bote conseguiu escapar e retornou a Quibdó, onde comunicou o sequestro aos comandantes. Segundo ele, os sequestradores eram membros do 34º front das Farc. "É um sequestro totalmente inaceitável. Já temos informações que nos dão a certeza de que foram as Farc", destacou Santos, que fez perguntas sobre as circunstâncias do crime.

"Por que o general Alzate estava como um civil? Por quê disse a sua escolta que não o acompanhasse? Por que não levou em consideração a advertência para que não seguissem rio abaixo tão longe?", questionou o presidente. Santos responsabilizou as Farc pela vida e segurança dos três reféns e exigiu sua libertação.

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