Alunos se mobilizam contra demissão de professores da PUC Minas

Cerca de 60 pessoas se reuniram no prédio 42 da PUC Minas, no Coração Eucarístico; um abaixo-assinado para pedir a permanência dos professores será entregue à universidade nesta terça

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Alunos se reuniram no saguão do prédio para homenagear os professores
Thiago Nogueira/Web Repórter
Alunos se reuniram no saguão do prédio para homenagear os professores

Uma homenagem em tom de mobilização na manhã desta segunda-feira (17) chamou a atenção de quem passou pelo prédio 42 da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), no Coração Eucarístico, na região Noroeste de Belo Horizonte.

Cerca de 60 alunos e ex-alunos do curso de jornalismo da universidade se reuniram em um tributo aos professores Fernando Lacerda e João Carlos Penna, que devem ser desligados da instituição no fim deste semestre letivo. A demissão, segundo a universidade, é motivada pelo fato de os dois não possuírem o título de mestrado.

Assim que receberam a notícia do desligamento de Lacerda e Penna, que também atuam, respectivamente, como editor e subeditor do jornal laboratório "Marco", os monitores começaram a se mobilizar para homenagear os professores e questionar o posicionamento da universidade.

Segundo a estudante Juliana Gusman, que criou o grupo no Facebook - na tarde desta segunda-feira, eram quase 700 membros - onde a ação foi preparada, os professores se emocionaram com a surpresa. Além dos depoimentos de alunos e ex-alunos que participaram do ato, cada um deles recebeu um caderno com 50 páginas contendo mensagens de agradecimento reunidas ao longo de uma semana pelos organizadores da página na internet.

“É muito legal a gente ver e ouvir que foi tão importante para a vida de tanta gente, isso é o que vale para um professor”, disse Fernando Lacerda, que dá aulas no curso de Jornalismo desde 1995. Ele contou que a homenagem feita pelos alunos e ex-alunos foi uma grande surpresa, recebida com muita emoção. Além dos textos enviados pelos alunos, Lacerda também recebeu mensagens de colegas de profissão.

Para João Carlos Penna, o reconhecimento foi sincero. “Eu tenho 26 anos de PUC e já recebi várias homenagens, mas essa foi a maior delas, justamente por ter sido tão espontânea”, disse o professor.

“Fica Fernando e fica João Carlos”

Além do tributo, os estudantes organizaram um abaixo-assinado para pedir que a reitoria da PUC Minas reconsidere o critério de titulação mínima exigida dos professores. O texto da petição argumenta que a atuação de Lacerda e Penna contribui para que o curso de jornalismo da universidade alcance a excelência e pede a permanência dos dois. Até o início da tarde desta segunda-feira, 228 pessoas tinham assinado o documento.

De acordo com o estudante Ígor Passarini, o abaixo-assinado será entregue à PUC Minas nesta terça-feira (18), por um grupo de alunos. Além disso, a homenagem aos professores foi registrada em vídeo e será transformada em um documentário.

Alguns alunos e ex-alunos também entraram em contato com a Ouvidoria da universidade para manifestar indignação, argumentando que os professores em questão, apesar de não terem feito mestrado, têm vasta experiência na atividade jornalística, o que é fundamental no curso.

A PUC respondeu aos questionamentos dos alunos e enviou uma nota à reportagem de O TEMPO, em que alega que, há pelo menos três anos, vinha orientando todos os professores graduados a se titularem. "Nesse período, vários professores se tornaram mestres e especialistas e outros optaram por se licenciar para poder fazê-lo. No limite da possibilidade legal, vimos contornando essa situação, mas infelizmente, em alguns casos, chegamos ao fim do prazo possível de tolerância", diz a resposta.

Segundo o comunicado da universidade, a titulação é uma exigência do Ministério da Educação para os professores do ensino superior, conforme o art. 66 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. "Respeitamos a opção de alguns docentes por não se titular, mas por outro lado, como já referido, temos que dar resposta, de modo permanente e efetivo às exigências dos normativos legais que regulam o setor de educação no Brasil", diz a nota.