Dante admite que Brasil não estava com psicológico pronto para a Copa

Zagueiro do Bayern de Munique afirma que a seleção brasileira queria ser campeã do Mundial, mas não tinha estrutura para enfrentar adversidades nos jogos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Dante vê Brasil como favorito na Copa do Mundo e quer realizar o sonho de ser campeão
Reprodução/Facebook
Dante vê Brasil como favorito na Copa do Mundo e quer realizar o sonho de ser campeão

Quatro meses se passaram desde que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de maneira vexatória para a Alemanha, após levar uma goleada de 7 a 1, no Mineirão, e dar adeus ao sonho do hexa. E de lá pra cá, muito se falou sobre o mal desempenho diante dos alemães e na competição como um todo, mas nem jornalistas e especialistas do futebol conseguiram dar uma explicação para o desastre brasileiro no Mundial.

E o zagueiro Dante do Bayern de Munique (ALE) – titular na derrota para a Alemanha- afirmou em uma entrevista ao site da Fifa, que o principal motivo que poderia justificar o vexame na Copa, foi a falta de preparo do psicológico dos atletas brasileiros.

“Para mim, o que aconteceu foi que, psicologicamente, não nos preparamos de forma adequada para a Copa do Mundo. Tínhamos que nos colocar na posição de favoritos e incorporar a necessidade de vencer, mas respeitando o esporte e o que ele tem de imprevisível. Quando nós vimos que tomamos o segundo e o terceiro gols, nós simplesmente não aceitamos o fato. Não raciocinamos. Não pensamos que era preciso encarar a situação e ser mais inteligentes. Em vez disso, nossa reação era de: “Isso não é possível. Não pode acontecer. Nós temos obrigação de ganhar a Copa. Vamos para a frente.” E, então, isso virou um choque, que ocasionou o 7 a 1. Isso quando nós todos sabemos que, quando você vive uma má fase dentro de um jogo, é normal você se fechar, parar um pouco. E muitas vezes você acaba achando um gol numa falta, ou um escanteio. Quantas vezes já não vimos isso com nossos clubes”, explicou o zagueiro.

Ao longo do Mundial, a ausência de uma estrutura emocional dos brasileiros já tinha sido observada por jornalistas esportivos e até especialistas da área. Por diversas vezes, durante a Copa do Mundo, os jogadores da seleção foram vistos chorando, como no duelo entre Brasil e Chile, pelas oitavas de final da Copa, quando em momentos antes da cobrança de penalidades, o zagueiro  Thiago Silva e o goleiro Julio Cesar caíram em lágrimas.

E a falta de psicológico preparado pesou diante da melhor seleção e foi determinante para o Brasil sofrer a goleada para a  Alemanha, como afirma o defensor Dante.

“O placar não reflete a diferença de qualidade entre os dois times, mas sim a forma como, psicologicamente, nos colocamos naquele Mundial. Por causa da pressão, não estávamos preparados para adversidades. Desde a Copa das Confederações, em todos os jogos – com exceção da estreia da Copa, contra a Croácia, que foi dificílima – nós saímos na frente no placar, e quase sempre cedo. Nós estávamos preparados para sermos campeões, mas não para enfrentar adversidades. E esse clima de “temos que ganhar” pode até fazer bem para o trabalho em alguns momentos, mas, psicologicamente, é preciso ter mais visão do que isso”, avaliou o defensor.

O curioso é que as declarações de Dante ao site da Fifa vão contra a uma nova postura adotada por Dunga – treinador que assumiu a seleção após o Mundial-, que é de abrir mão do trabalho de um psicólogo no time brasileiro. A partir de agora, o trabalho de psicologia será feito pelo ex-jogadores da própria seleção. Por exemplo, nos amistosos do Brasil com a Turquia e Áustria, a conversa para controlar o emocional dos atletas está sendo feita pelo ex-zagueiro Oscar Bernardi.

Mas para Dante – que ainda não recebeu uma oportunidade na equipe de Dunga- o que ficou de lição após o vexame, é que manter o emocional controlado é essencial para se sair bem em jogos decisivos, como os da Copa do Mundo.

“Aprendi que o futebol também pode te trazer decepção, dentro e fora do campo. Aprendi que, sem controle psicológico, chega um momento em que “amor”, “garra”, “emoção” não bastam. Você precisa manter a capacidade de pensar”, concluiu.   

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