MAIS DO MESMO

iG Minas Gerais |

O escândalo da Petrobras ou Petrolão, como a crônica popular apelidou o último desfalque ocorrido naquela estatal, parece que ainda vai se arrastar muito para rechear os noticiários e os bolsos dos advogados criminalistas de grife. A semana fechou com a prisão de donos e diretores das maiores empreiteiras nacionais, as mesmas que já tiveram seus nomes citados em outras maracutaias, sempre que no Brasil se investigam casos de corrupção, de improbidade administrativa, de superfaturamentos, de desvios e outros delitos do gênero. O processo do mensalão fez desfilar pelas dependências da Polícia Federal e do Judiciário a fina-flor dessas grandes construtoras, hábeis e sempre presentes no fornecimento de recursos para serem empregados no financiamento de campanhas políticas e na boa-vida de inescrupulosos gestores públicos. Eles estão de volta, com novos delitos. São incansáveis. A corrupção está democratizada no Brasil e infelizmente em todos os poderes do Estado. Sem exceção. Paga-se para se criarem leis, para se formarem ou não CPIs, para se buscar a tolerância e a desídia do Legislativo para com os atos do Executivo. As câmaras municipais, as assembleias legislativas e o Congresso Nacional transformaram-se em nojentos balcões de negócios, onde o interesse público sequer é lembrado. Vereadores, deputados e senadores, não todos, mas na sua grande maioria, em todo o país, são comerciantes de seus votos, de suas opiniões, de suas consciências a serviço da fraude. Tudo isso e mais ainda o empreguismo, o nepotismo, o uso descarado de verbas públicas para o custeio de seus caprichos pessoais, de suas famílias e de seus amigos. Juízes, promotores, procuradores de Justiça, desembargadores e até ministros de tribunais superiores estão nas listas de investigações das corregedorias, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. Venda de sentenças, perseguições, denúncias a serviço de interesses menores ou mesmo escusos. Decisões que fraudam direitos, favores a partes, processos esquecidos nos arquivos forenses para se alcançarem a prescrição, a preclusão e a ineficácia da lei. Propinas, participação em honorários de peritos, de síndicos de falências milionárias, promoção de parentes, tudo acontece. Prefeitos, governadores, presidentes da República, muitos desses senhores são aqueles que durante toda vida só tiveram funções ou mandatos públicos e que são donos de patrimônios inexplicáveis, absolutamente incompatíveis com os subsídios que perceberam legalmente. Sem exceção, são larápios, beneficiados descaradamente pela ineficiência do aparelho policial e judiciário. São os que se beneficiam da certeza de que, no Brasil, o crime compensa. A corrupção e a impunidade são os nossos maiores infortúnios. Não combatê-los nos faz suas vítimas. Ou coniventes. Ou cúmplices. Escolha seu papel.

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