Propina existe, diz Regina, mas nem todo policial é corrupto

Perguntada se vive essa restrição, Regina respondeu que não “porque os malandros não a conhecem” e ela “não é de ficar na rua”

iG Minas Gerais | Flaviane Paixão |

Se tem algo que tira Regina do sério é policial corrupto. Ela deixa claro que não vivenciou situação de cobrança de propina para a boca de seu marido funcionar, mas diz que já ouviu muitos relatos de quem paga, principalmente para militares, boas quantias para que o negócio não feche nem haja prisões.

“Só fico com raiva dos corruptos. Pra mim, eles incentivam os cara a traficar pra eles terem o deles. Não sei de qual batalhão, porque não fico na boca, eu vejo os caras falar que os policiais ficam pedindo dinheiro(sic)”. Regina conta que o marido não pagava ninguém e proibia esse tipo de situação. “Meu marido nunca deu. A boca dele é assim, chega lá, (polícia) prendeu. Quem for preso vai ficar (preso). Porque a cada dia esses policial aumenta. Hoje quer R$ 1.000, amanhã R$ 3.000, e dependendo do giro da boca, se o cara não quer dar, começa a prender, e eles até matam o cara (sic).” Concorrentes. O ambiente onde Regina e o marido têm a boca é tranquilo, ela conta, apesar de as pessoas terem que respeitar uma regra de circulação quando estão envolvidas com o tráfico. “Tem lugar que a gente não pode ir, quem mora na parte de cima não pode frequentar a parte de baixo. Mas tem gente que eles vê que é da parte de cima e que está escoltando (vigiando) para o rival. Isso pode dar confusão (sic)”, explica. Perguntada se vive essa restrição, Regina respondeu que não “porque os malandros não a conhecem” e ela “não é de ficar na rua”. Outra situação que ela revela é que cada chefe da boca tem ficado “na sua”, dominando seu espaço, que já é reconhecido entre eles. “Cada um domina seu pedaço, e todo mundo conhece onde está a boca de cada um”.

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