Ex-diretor deu roteiro de prisões

Quase todos empresários e executivos presos foram citados nominalmente por Paulo Roberto Costa

iG Minas Gerais |

Ex-diretor da Petrobras confirmou destinação das propinas
ED FERREIRA
Ex-diretor da Petrobras confirmou destinação das propinas

Brasília. O depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Justiça Federal do Paraná no dia 8 de outubro forneceu o roteiro que levou executivos de algumas das maiores empreiteiras do país à prisão desde a última sexta-feira.  

Na sétima fase da operação Lava Jato, chamada Juízo Final, a Polícia Federal prendeu 23 executivos, entre os quais presidentes e diretores das empreiteiras OAS, UTC, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa e Galvão Engenharia, que mantinham contratos superfaturados com a Petrobras. Parte dos valores ia para o pagamento de propina, segundo procuradores. Até neste domingo dois suspeitos estavam desaparecidos.

Quase todos os empresários e executivos presos por ordem do juiz federal Sergio Moro haviam sido citados nominalmente por Costa em seu depoimento à Justiça ou foram citados na agenda do ex-executivo da Petrobras.

Outros diretores haviam sido mencionados pelo doleiro Alberto Youssef e por dois executivos da Toyo, Julio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, em acordos de delação premiada.

A dupla de executivos diz ter pago R$ 30 milhões em suborno para a diretoria de serviços da Petrobras, que foi ocupada por Renato Duque, entre 2003 e 2012. Duque, que também está preso, é considerado por investigadores como o principal operador do PT na estatal.

Em outubro, o juiz Sergio Moro perguntou a Costa quais empresas participavam do “cartel” na Petrobras. “Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Iesa, Engevix, Mendes Júnior, UTC, mas isso está tudo na declaração que eu dei aí”, listou, fazendo referência à sua delação premiada, que permanece sigilosa.

O juiz indagou se era verdade que Costa negociava “diretamente” com os diretores e presidentes de empresas do “cartel”. “Perfeito”, concordou Costa.

Moro quis saber se as empreiteiras tinham conhecimento, sabiam da remessa de valores para remunerar “agentes públicos”, o modo como o juiz trata políticos. “Sim, tinham”, confirmou.

Costa disse ao juiz que todas as empresas formavam um cartel e que pagavam suborno em troca da obtenção e manutenção dos contratos. PT, PMDB e PP eram os partidos beneficiados, segundo relatos de Costa e de Alberto Youssef.

No mesmo dia, o juiz ouviu o doleiro. “O conhecimento que eu tenho é que toda empresa que tinha uma obra na Petrobras, algumas delas realmente pagavam”, relatou. Ele apontou uma série de executivos de empreiteiras que foram presos na última sexta-feira como seus contatos em “acertos financeiros”.

Três deles eram da Camargo Corrêa: João Auler, presidente do conselho, Dalton Avancini, presidente da empreiteira, e Eduardo Leite, vice-presidente.

Foi a partir dos depoimentos de Julio Camargo e de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ambos da Toyo, que os procuradores da operação Lava Jato e a Polícia Federal conseguiram as provas que levaram à prisão de Renato Duque. Pedro Barusco, gerente de engenharia da estatal ligado a Duque, também recebia suborno, segundo Camargo.

Saúde atrapalha

Depoimentos. O doleiro Alberto Youssef enfrenta problemas de saúde que têm prejudicado a continuidade dos depoimentos que ajudaram a levar à prisão executivos das maiores empreiteiras do país. Ele não tem conseguido prestar depoimentos com a mesma regularidade de quando aceitou fazer a delação premiada em troca de redução de pena. Segundo o Ministério Público, por causa dos problemas frequentes de saúde, com quedas bruscas de pressão, não é possível mais prever quando o doleiro irá concluir os depoimentos.

Separação. Além da prisão, Alberto Youssef enfrenta um problema familiar que se reflete na saúde. A mulher se separou dele após saber que ele mantinha um caso extraconjugal. Joana Darc Fernandes Youssef agora vive em Londrina (PR) e tenta na Justiça preservar metade dos bens do ex-marido, alegando tratar-se de um direito.

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