Empreiteira recebeu mais verba cinco anos após entregar obra

Em 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando a obra começou, a Petrobras era sócia minoritária do investimento

iG Minas Gerais |

Rio de Janeiro. Em dezembro de 2013, a Petrobras pagou R$ 139,8 milhões à empreiteira Camargo Corrêa pela construção da termelétrica Jesus Soares Pereira, a Termoaçu, no Rio Grande do Norte. O pagamento aconteceu cinco anos após a inauguração da obra. A Camargo Corrêa é uma das investigadas na operação Lava Jato por suspeita de participar de cartel e do esquema de pagamento de propinas na Petrobras.  

As informações foram publicadas na edição de ontem do jornal “O Globo”. De acordo com o jornal, a Camargo Corrêa já teria recebido pela obra R$ 690 milhões. Documentos mostram que a termelétrica foi inaugurada com quatro tanques montados de forma errada, além de defeitos no sistema de captação de água do rio Açu e assoreamento do canal de escoamento.

Em 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando a obra começou, a Petrobras era sócia minoritária do investimento. A Neoenergia era a outra sócia. Em 2004, já no governo Lula, após a paralisação, a Petrobras aumentou a sua participação societária no negócio para 77%.

Em setembro de 2008, o então presidente Lula inaugurou a termelétrica ao lado da atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, que era diretora de Gás e Energia da estatal à época. Ela era responsável pelo empreendimento. Na ocasião, o custo total foi apresentado como sendo de R$ 735 milhões.

Dois anos depois, em 2010, o presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, enviou à Termoaçu uma notificação extrajudicial, registrada em cartório, cobrando a liberação de R$ 44 milhões retidos e o pagamento de mais R$ 320 milhões por “custos adicionais” da obra. Avancini é um dos executivos presos. Seus advogados negam as acusações.

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