Festival quer levar atividades de forma itinerante

Enquanto a vontade segue embrionária, as oficinas e workshops do 1º Festival Erro 99 servirão de teste para avaliar a adesão de público ao festival

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Ação. “Queimão Fotográfico” provocou pensamento crítico do público
Bel Diniz/Erro99
Ação. “Queimão Fotográfico” provocou pensamento crítico do público

Além dos ousados projetos “Queimão Fotográfico”, “Show de Likes” e “Assembleia Popular de Pixels”, considerados a tríade inspiradora do Erro 99, o festival também vai trazer à capital mineira uma série de oficinas e workshops com nomes de peso da nova linguagem visual brasileira – todos focados em explorar novos e democráticos caminhos para a fotografia. Se tudo der certo com a experiência deste ano, o festival ainda tem a pretensão de se tornar itinerante, levando uma programação diversificada a várias capitais do país.

Mesmo sem ter um evento específico como inspiração, o Erro 99 se pautou em movimentos como o Piolho Nababo – uma galeria de arte que leiloa peças e obras artísticas variadas a preços populares – e o Carroça Net, que projeta fotos em uma carroça para exibição pública. Após a primeira edição, a ideia dos organizadores é tentar garimpar outras atividades fotográficas e artísticas semelhantes pelo país e formar parcerias com o Erro 99. “Queremos fazer um mapeamento de atividades parecidas com a nossa, rodar os lugares e descobrir novas ideias. Aí, futuramente, poderíamos expandir o Erro 99 de uma forma itinerante e mais democrática ainda, levando oficinas e workshops que vamos fazer aqui para mais lugares também, criar uma rede”, analisa o fotógrafo Daniel Iglesias, do coletivo Erro 99, responsável pelo festival.

Enquanto a vontade segue embrionária, as oficinas e workshops do 1º Festival Erro 99 servirão de teste para avaliar a adesão de público ao festival. Para o fotógrafo Bruno Figueiredo, também do Erro 99, a transformação das atividades do coletivo em um festival vai ajudar a perceber uma consolidação de público interessada em uma nova fotografia. “Queríamos expandir nossa divulgação. Fazer um evento onde o cara vai assistir uma palestra, mas se interessa pelo ‘Queimão’ ou fica a fim de participar de um workshop que ele não estava sabendo – são ações integradas, não isoladas, que fazem um público específico e interessado existir”, justifica.

CONVIDADOS. Um dos principais nomes que desembarcam nesta semana na capital mineira é João Wainer, idealizador e atual diretor da TV Folha – que usa uma linguagem de documentário inovadora em suas produções. Fora as dezenas de prêmios fotográficos no currículo, ele é autor de capas de discos de Chico Buarque, Rita Lee, Gilberto Gil e outros bambas da MPB, além de ser percussor de uma linguagem documental ímpar na internet. No bate-papo “As Novas Fronteiras do Jornalismo”, Wainer vai estimular a concepção de projetos de vídeo com linguagens que fujam do padrão jornalístico de TV atual.

Em um dos workshops mais ousados, a fotógrafa Raquel Brust vai repetir a experiência criada com o Projeto Giganto, que levou imagens gigantescas de personagens de São Paulo para o apagado e cinza Minhocão. Na capital mineira, a ideia é reunir uma série de fotos feitas pelos participante do workshop de personagens belo-horizontinos. Em vez do cartão-postal paulista, porém, as imagens feitas na oficina vão dar nova vida aos arcos do viaduto Santa Tereza.

Além disso, o festival ainda traz o coletivo Selva SP para colocar novos fotógrafos na rua e produzir imagens com um olhar diferente, baseado em uma linguagem provocativa, incomum e extremamente calcada na experiência de observações na rua.

Fechando a programação, os fotógrafos da Nitro Imagens – formada por Bruno Magalhães, Marcus Desimoni, Leo Drumond e João Marcos Rosa – propõem em seu workshop uma experiência que vai além de sair para fotografar. Ao final da oficina, os alunos participarão da produção de uma revista fotográfica impressa com as próprias fotos.

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