Abraço, ações educativas e carro destruído chamam a atenção em BH

Enceramento da Semana em Homenagem às Vítimas de Acidentes de Trânsito aconteceu na manhã deste domingo (16) na praça Floriano Peixoto

iG Minas Gerais | BERNARDO MIRANDA |

NIDIN SANCHES/O TEMPO
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No encerramento da Semana em Homenagem às Vítimas de Acidentes de Trânsito, organizada em conjunto por órgãos de segurança do Estado, foi realizado, na manhã deste domingo (16), um encontro solidário na praça Floriano Peixoto, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte.

As cerca de 150 pessoas presentes prestaram uma homenagem a quem perdeu a vida ou sofreu sequelas em função de colisões nas ruas, em abraço simbólico no centro da praça, onde também foram depositadas flores em prol dessas vítimas, como a médica Flávia Costa Pereira, que morreu aos 26 anos, em 1999, quando ia para o trabalho e teve seu carro atingido por outro veículo, guiado por um motorista embriagado. A mãe de Flávia, Maria Beatriz Costa Pereira, hoje com 64 anos, esteve no local não só como um gesto de lembrança, mas também de conscientização. "Acho que é uma questão de educação, desde as crianças, com noções de limite estabelecidos pela família, e a formação de seres humanos para a direção. Até para saberem que a consequência pode ser a destruição de toda uma família", diz Maria Beatriz, que à época criou um movimento, o Viva e Deixe Viver, que passa essa mensagem em palestras em escolas. "O número de vítimas só aumenta. É importante procurar saber o que a sociedade está fazendo quanto a isso", completa Maria Beatriz, que esperava que houvesse uma maior presença, inclusive de mais familiares de vítimas, no evento deste domingo.

Além do caráter pedagógico - por meio da distribuição de folhetos educativos, da transitolândia para as crianças e até de um caderno de palavras cruzadas com a segurança ao volante como tema -, a fiscalização também foi abordada. Para o diretor do Detran-MG, Anderson Alcântara, algumas medidas ajudam a atenuar o alto índice de mortes ao volante (50 mil por ano, de acordo com o órgão), como a presença de blitze itinerantes e a recém-criada equipe de pronta resposta investigaria, com enfoque especial para motoristas que provocam acidentes e fogem. "É um trabalho que já foi feito durante a Copa, e agora temos este grupo, que varia de três a sete policiais, treinados para atuar nessas circunstâncias, além de as blitze já terem reduzido o número de vítimas fatais em 2,3% no último mês no Estado", explica Alcântara , que também comentou que um dos maiores trunfos dessas blitze, realizadas em veículos disfarçados, é a apreensão de motoristas inabilitados ou com a carteira vencida.

"A estratégia é termos qualificação na repressão e na instrução. A nossa legislação de trânsito é uma das 12 mais rígidas do mundo. O que a população tem que entender é que 90% dos acidentes são causados por falha humana, imprudência", finaliza.

Quem passou pelo local se impressionou com uma das intervenções: um Golf cinza completamente destruído era exibido como exemplo. O veículo era conduzido por um motorista inabilitado e, após bater em um poste, resultou na morte do motorista e da passageira. "É impactante, eu nunca tinha visto um carro acidentado nestas condições, acho que é bom para mostrar para população as consequências. É a melhor maneira de mostrar o efeito", comentou a analista de RH Miriam Paula, de 30 anos, que teve a atenção chamada ao passar pela praça voltando da igreja. "Só acho que isso deveria ser feito em locais mais visíveis, com maior alcance de pessoas".

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