Cônjuges são apenas 10% dos visitantes

iG Minas Gerais |

Na penitenciária Estevão Pinto, o abandono dos parceiros se reflete no perfil das visitas. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), quase 80% dos visitantes cadastrados são mães, pais, irmãos, filhos ou amigos das 362 presas, enquanto apenas 10,3% são namorados, cônjuges ou companheiros. Em alguns casos, porém, o abandono chega a ser total, e muitas presas passam anos sem receber nenhum tipo de visita.

Condenada a 13 anos por tráfico de drogas, Elenita Moreira do Nascimento, 62, conta que a própria filha se cadastrou para visitar uma colega de cela, presa há dez anos e que não recebia visitas. “E meu marido se cadastrou para visitar o marido dela em outro presídio. Não é fácil não ter ninguém”. Outra presa, que pediu anonimato, diz que só recebe visitas do marido e de uma filha. “Gostaria que meus irmãos viessem. Mas eles não têm coragem”, lamenta.

Advogada voluntária da Pastoral Carcerária, Jaqueline Pereira conta que basta comparar a fila de visitantes de um presídio masculino com um feminino para ver a diferença. Segundo ela, além da carência afetiva, existe um sentimento de inferioridade em quem não recebe visitas, pela ausência de pertences e objetos de uso pessoal, normalmente levados pelas famílias. “Esses produtos viram moeda de troca, e quem não tem fica em situação inferior”.

Maioria se envolve com tráfico

O tráfico de drogas é o crime mais comum entre os presos de Minas Gerais. No entanto, enquanto entre os homens detidos o enquadramento pelo delito é de 31,45%, entre as mulheres o percentual sobe para 60,68%. Segundo especialistas, boa parte delas acaba detida por esse crime em função de um envolvimento inicial dos companheiros com a venda de drogas. O tráfico também é cenário do seriado norte-americano “Orange is the New Black”. Lançada pela rede Netflix em 2013, a trama revela um pouco do universo de relacionamentos e vaidades femininas na prisão.  (LM)

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