Série de reajustes é aperitivo da conta que chegará em 2015

Alta das tarifas públicas, como combustíveis, água e energia, terá forte impacto inflacionário

iG Minas Gerais | MARCO ANTONIO CORTELETI |

Repasse. Aumento de 3% autorizado pela Petrobras para a gasolina inicia temporada de reajustes
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Repasse. Aumento de 3% autorizado pela Petrobras para a gasolina inicia temporada de reajustes

A conta vai chegar, e será salgada. O aumento dos combustíveis, que entrou em vigor no último dia 7, foi apenas o primeiro de uma série de reajustes das tarifas públicas – os chamados “itens administrados” – que serão colocados em prática pelo governo federal ao longo dos próximos meses. Energia elétrica, água, transporte público e impostos, entre outros, virão a reboque, impactando a inflação e, consequentemente, o bolso dos brasileiros. A seca também terá efeito, com o repasse dos custos de investimentos para se lidar com ela.

De acordo com a consultoria econômica Tendências, a projeção é que esses serviços subam 8,4% no ano que vem, com risco de estourar novamente o teto da meta inflacionária, alcançando 6,4%. O que indica que o consumidor não terá vida fácil em 2015.

Não bastasse a alta das tarifas públicas, o Banco Central já elevou a taxa de juros, o que encarece o crédito e restringe o consumo”, afirma a analista da Tendências, Alessandra Ribeiro. “Com as famílias gastando menos, o comércio e a indústria se retraem, e o PIB crescerá pouco, em torno de 1%”, completa.

Outro fator que deve inibir o consumo, segundo a analista, é o ganho real dos salários para 2015 em relação a este ano. O aumento deve ficar em apenas 0,4%, ou seja, praticamente estagnado.

Alguns tributos que andavam sumidos também devem voltar. O governo já sinalizou o retorno do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, a partir de janeiro. Alessandra aposta na volta da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide), o imposto dos combustíveis que havia sido zerado em 2012, mas deverá ser cobrado novamente para ajudar o governo a fazer caixa em um momento em que deverá cortar gastos públicos. “Por tudo isso, o trabalhador deve, desde já, fazer uma poupança para enfrentar o aumento desses custos”, afirma a analista.

Inadimplência em alta. Professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Alfredo Melo também vê 2015 como um ano difícil para o brasileiro. “Um sinal de que esse cenário já está acontecendo é a taxa de inadimplência, que vem subindo”, afirma.

Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que o calote cresceu 14,2% em relação ao mesmo período de 2013 e 5,1% em relação ao início do ano.

Além do reajuste das tarifas públicas, o cenário futuro é agravado, na opinião de Alfredo Melo, pela atual conjuntura macroeconômica do país, que inclui contas públicas descontroladas e previsão de novas altas na taxa de juros.

Tudo isso deve levar o brasileiro a tirar o pé do consumo em 2015, concentrando os gastos em produtos e serviços mais essenciais”, ressalta Melo.

Poupança

“O trabalhador brasileiro deve começar a fazer, desde já, uma poupança para enfrentar a alta de todos esses custos no ano que vem”

Alessandra Ribeiro analista econômica da consultoria Tendências

O retorno

Indícios. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Luiz Moan, disse que reuniões com o governo indicam que o IPI reduzido acabará em 31 de dezembro.

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