Candidato, Cunha tira o sono do Palácio do Planalto

Líder do PMDB é admirado por deputados por saber o nome de todos e cumprir o que promete

iG Minas Gerais |

Cunha recebe telefonemas de deputados pedindo orientação
Wendel Lopes / PMDB
Cunha recebe telefonemas de deputados pedindo orientação

Brasília. O Executivo “que tudo faz e tudo pode”, na definição do líder do PTB, Jovair Arantes (GO), tenta, mas ainda não conseguiu, minar o favoritismo do peemedebista Eduardo Cunha (RJ) na disputa pela presidência da Câmara no ano que vem. O lançamento oficial da candidatura está marcado para 2 de dezembro, dando início a dois meses em que o governo fará de tudo para impedir o que seria a coroação de anos de atuação do líder do PMDB em prol de seus aliados.

Esse favoritismo vem sendo construído há anos. “Eu fico admirado com a capacidade de trabalho dele: sabe o nome de todos os deputados, sejam do PMDB, sejam de outros partidos. E costuma entregar o que promete, o que não é comum aqui”, diz o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), ao explicar por que Cunha tem obtido adesão, apesar da resistência do Planalto.

O PT tentou encontrar um adversário à altura, mas não conseguiu. Entre os deputados, há um forte sentimento anti-PT. Tampouco tem sido uma saída convencer algum aliado a enfrentar o peemedebista.

Meia hora no gabinete de Cunha ajuda a entender como ele atua – e por que tamanho favoritismo. Os telefones do gabinete e o celular não param de tocar. Algumas conversas não deixaram pistas de quem era o interlocutor, mas alguns parlamentares se aconselhando.

Entre tantas ligações, o deputado é questionado sobre um colega que, embora seja de um Estado sem litoral e não conheça ninguém da Friboi, recebeu doação do frigorífico e de uma empresa do setor naval. O parlamentar também recebeu uma ligação do líder, dizendo: “Busquei doações para você.”

O vice-presidente, Michel Temer, disse que se alguém se candidatasse contra o governo, mesmo do PMDB, estaria se contrapondo a ele, que é presidente do partido. Cunha tem dito ser candidato não de oposição, mas de uma Câmara independente. Na quinta-feira, Temer reafirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo” não aceitar candidatura que se oponha ao Planalto, mas esse não seria o caso de Cunha.

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