A fila anda, mas para trás

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Nessa quarta-feira, a seleção teve mais uma excelente atuação. Neymar está cada dia mais espetacular. Willian foi outro destaque. Quem sabe ele se torne o jogador especial, fora de série, que esperávamos que Oscar fosse? Depender demais de Neymar é bom, pois raras seleções têm um jogador como ele, e também é ruim, porque ele não vai atuar sempre bem nem vai jogar todas as partidas. Em alguns jogos, a seleção não pode prescindir do talento ofensivo de Marcelo. Achar que Thiago Silva é reserva, porque a equipe não sofreu gols nos cinco jogos, é ter uma visão estreita. Thiago Silva é um dos melhores zagueiros do mundo. Além disso, não está na reserva porque jogou mal. Pego carona nas indagações sempre brilhantes do jornalista inglês Tim Vickery, radicado no Brasil há muitos anos, ditas no “Redação SporTV”, de que as ótimas atuações e vitórias da seleção, com Dunga e também com Felipão, na Copa das Confederações e nos amistosos antes do Mundial, indicariam que, por inúmeros fatores, como os emocionais, muitas coisas seriam próprias da Copa do Mundo e não refletiriam a qualidade das seleções. Teria sido, então, um apagão contra a Alemanha? O placar de 7 a 1 é muito mais que isso. Além disso, o Brasil jogou mal os outros jogos do Mundial. Há outras explicações que se completam. As grandes seleções se preparam muito melhor para a Copa e jogam os amistosos, incluindo a Copa das Confederações, sem a seriedade da seleção brasileira. Assim como aconteceu após outros Mundiais, as principais seleções da Copa de 2014 continuam de ressaca. Alemanha e Holanda estão mal nas Eliminatórias para a Eurocopa. A Argentina, com todos os seus craques, ganhou por 2 a 1, nessa semana, dos reservas da Croácia, com um gol irregular. Porém, aos poucos, as coisas estarão em seus devidos lugares. As boas atuações e as vitórias da seleção atual repetem o que ocorreu depois da Copa de 2006, também com Dunga. Neste momento, para recuperar o prestígio, nada melhor que um técnico disciplinado e exigente. Dunga e Felipão são bons treinadores, mas o futebol brasileiro deveria ter alguém com novos conceitos, além dos lugares-comuns. A história se repete. Não ficarei surpreso com o retorno de Felipão, caso a seleção não seja campeã em 2018. Dunga voltaria em 2022. Os argumentos para contratá-los seriam os mesmos. Nesse período, um amigo de Marin e de Del Nero seria eleito presidente da CBF. A fila anda, mas só para quem faz parte da patota. Isso é bastante comum na vida brasileira. Se me perguntarem a quem invejo, responderei, sem hesitar, que é o poeta Manoel de Barros, por causa de seus belos poemas, de sua paixão pelo silêncio e pela grandeza das coisas ínfimas, desimportantes.

Grande vantagem

O Atlético foi melhor e mereceu a vitória. A atuação do Cruzeiro foi péssima. O time limitou-se a dar chutões. Dátolo e Leandro Donizete foram os melhores. Donizete marcou muito e criou boas jogadas. A solução para melhorar a qualidade do meio-campo não é ter apenas um volante. É ter meio-campistas que marcam e que tenham talento. Como todo o time do Atlético volta para marcar, não é preciso ter dois volantes apenas marcadores. Nos jogos em que Dátolo atuou recuado, ao lado de um único volante, o time foi melhor do que na quarta-feira. A partida foi fraca. O grande sucesso do jogo foi a ausência de violência dentro e fora de campo. Minas deu exemplo. Espero que aconteça o mesmo no Mineirão.

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