Os frutos do Velho Chico

Agricultores de Pernambuco unem tecnologia e irrigação para produzir vinhos e espumantes

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Parreirais mudam a paisagem do sertão nordestino, hoje produtor de frutas, como uvas, goiabas e mangas
Aline Diniz
Parreirais mudam a paisagem do sertão nordestino, hoje produtor de frutas, como uvas, goiabas e mangas

No meio da Caatinga e do sol quente do sertão, parreiras produzem uvas que se transformam em vinhos e espumantes premiados. Na beira do Velho Chico, pode-se degustar uma boa bebida e contemplar a beleza do contraste da natureza: galhos secos à espera de chuva e partes verdes que recebem água da irrigação do rio.

Para completar o cenário perfeito, o pôr do sol é visto de dentro de um passeio de catamarã. O calor é amenizado com um banho de rio. Diferentemente do que prevê o senso comum, é possível produzir frutas, como uva, goiaba e manga no vale do rio São Francisco. O milagre acontece quando agricultores unem irrigação e tecnologia.

Nas vinícolas do semiárido, os produtores colhem duas safras por ano, o que não ocorre em nenhum outro lugar do mundo. Com 3.000 horas de luz solar anuais, a uva não é fruta de época por lá: dá o ano todo. “Na Europa, a planta hiberna durante uma metade do ano, quando está frio. Como temos luz o ano todo, só precisamos de água”, explica o sócio-diretor da vinícola Vinibrasil, João Santos. A ausência de chuva evita, ainda, a proliferação de pragas no parreiral. “Se não chove, não há umidade para a propagação de doenças”, acrescenta Santos.

Na fazenda Rio Sol – onde está a vinícola Vinibrasil –, os turistas ou apreciadores do vinho podem ver as quatro estações (primavera, verão, outono e inverno) em um só lugar. Isso porque existem parreirais com uvas em diferentes estágios de amadurecimento. É uma outra paisagem impossível de se vislumbrar em outros locais dos dois hemisférios, já que o usual é que as frutas cresçam e sejam colhidas na mesma época.

As peculiaridades do vale do rio São Francisco com relação à produção de uva têm despertado o interesse para o turismo de entretenimento e de negócio. Muitos profissionais nacionais e internacionais visitam, curiosos, o local para saber o que dá sabor e suavidade à bebida do sertão. O vale foi, inclusive, palco da minissérie global “Amores Roubados”, em que o ator Cauã Reymond interpretou o sommelier Leandro que se envolve com três mulheres: Celeste (Dira Paes), Isabel (Patrícia Pillar) e Antônia (Ísis Valverde). A produção foi exibida na emissora em janeiro deste ano.

Belezas raras

Os turistas vão ao sertão para conhecer as vinícolas, apreciar o rio e as paisagens, experimentar vinhos e espumantes e se deliciar com a gastronomia. Em Petrolina, no interior do Estado, está o maior número de hotéis e restaurantes do vale. Entretanto, as parreiras ficam em cidades vizinhas, como Lagoa Grande (PE), Santa Maria da Boa Vista (PE) e Casa Nova (BA).

A repórter viajou a convite da Setur-PE

 

Do sertão

99% Da uva de mesa consumida no Brasil vem dos parreirais presentes no interior de Pernambuco  

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