Caminhando na contramão

Papel na atual trama das sete da Globo é apenas o terceiro vilão que o ator interpreta em sua trajetória na TV

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Sem arrependimentos. Thiago Lacerda conta que lida da melhor maneira possível com personagens de boa conduta
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Sem arrependimentos. Thiago Lacerda conta que lida da melhor maneira possível com personagens de boa conduta

Do alto de seus 1,97m, olhos verdes e rosto marcante, Thiago Lacerda sempre soube que o posto de mocinho seria o caminho mais fácil a seguir. E assim aconteceu. De novela em novela, o ator de 36 anos teve poucas chances de mostrar outras aptidões dramáticas que não as de um galã. É por isso que ele valoriza tanto seu trabalho em “Alto Astral”, seu terceiro como antagonista – os outros foram em “América” e “As Filhas da Mãe”. Na atual novela das sete, Thiago é Marcos, um vilão tradicional que abusa de caras e bocas, mas de uma maldade justificável. “A novela tem uma estrutura narrativa ligada ao sobrenatural, mas os personagens são especialmente realistas. É bacana estar do outro lado, fazendo de tudo para atrapalhar a vida de quem quer ser feliz”, brinca. Carioca, Thiago estreou na TV na temporada de 1997 de “Malhação”. No entanto, foi só depois do sucesso da minissérie “Hilda Furacão”, exibida no ano seguinte, que seu nome passou a estar na lista dos principais diretores da Globo. Ao longo desses quase 20 anos, o ator teve a oportunidade de passear pelos mais diversos núcleos dentro da emissora e participar de sucessos como “Terra Nostra”, “A Casa das Sete Mulheres” e “Páginas da Vida”. “Me orgulho muito disso. Foi a maneira que encontrei de variar dentro da emissora. Cada diretor tem suas manias e a gente vai aprendendo muito com cada produção. Isso me motiva a estar sempre pronto para o trabalho”, analisa. Apesar de ter sido vilão em tramas como “As Filhas da Mãe” e “América”, você é conhecido pelos inúmeros mocinhos que interpretou. Como lida com esse rótulo? Da melhor forma possível e sem arrependimentos. Até porque adoro os mocinhos ou heróis épicos e românticos que apareceram na minha carreira. Embora muita gente ache que é um trabalho mais repetitivo, vejo muitas diferenças e complexidades de um personagem para o outro e me divirto muito. Um Garibaldi de “A Casa das Sete Mulheres”, por exemplo, exige de mim algo completamente diferente do que um médico naturalista de “A Vida da Gente”. A última vez que você deixou o posto de galã de lado foi em “América”, de 2005. O convite para fazer um vilão em “Alto Astral” pesou na hora de acertar sua participação? Lógico. Embora minha carreira seja feita de mocinhos, do ponto de vista do ator é muito legal ter outras experiências. E, acredite, eu sempre busco. Só que, na TV, você não tem como ter domínio do que fará ou não. Você pensou em recusar o Marcos? Não pelo personagem e pelo projeto. Mas, quando surgiu o convite, eu tinha acabado de sair de “Joia Rara”. Fiquei pensando se já era hora de voltar à TV. Gosto de dar um tempo entre um papel e outro, acho importante até para ficar livre e assumir compromissos fora do vídeo. No entanto, já tive outras fases na minha carreira de aparecer tanta coisa boa e acabar fazendo tudo. Não gosto de desperdiçar boas oportunidades. É preciso contar com o feeling dos diretores e de quem monta o elenco. O primeiro a tirar minha carreira do caminho dos mocinhos foi o Jorge Fernando com “As Filhas da Mãe”. Muitos anos depois, ele faz a mesma coisa. Relembrar isso foi bacana e acabei topando. O apelo popular deste tipo de papel também o instiga? É engraçada essa veneração pelos vilões, não só do público, mas de quem faz televisão também. Acho que a grande fascinação por esses personagens está no poder que eles têm de dominar a cena e os acontecimentos do roteiro. É claro que isso é interessante. Mas o Marcos é um vilão mais misterioso, ele não é mau apenas por ser. Como assim? Tudo tem um propósito e isso vai ser revelado ao longo da trama. Ele não quer o amor da Laura apenas porque acha que é a mulher da vida dele, mas sim pelo fato de que uma hora ele vai precisar dela para alguma coisa. O mesmo serve para a falta de sintonia com o irmão. O ódio dele pelo Caíque não é gratuito, existe uma história que justifica tanta antipatia. O texto está muito bem amarrado, o que me dá uma segurança enorme na condução do Marcos.

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