Tempo perdido

Baseada em clichês folhetinescos, trama de “Boogie Oogie”, assinada por Rui Vilhena, não sai do lugar

iG Minas Gerais | caroline borges tv press |

Maturidade. Como a vilã Vitória, Bianca Bin mostra amadurecimento cênico na trama das seis
Globo
Maturidade. Como a vilã Vitória, Bianca Bin mostra amadurecimento cênico na trama das seis

O equilíbrio ideal entre o ousado e o antigo é a grande busca da atual dramaturgia da Globo. Visando expandir sua audiência, a emissora tem optado por tramas que saiam do lugar comum. No entanto, em um claro desejo de não perder seu público mais tradicional, ela também recorre a histórias clássicas e sem muitos arrojos narrativos. Como é o caso de “Boogie Oogie”. Na tentativa de resgatar o telespectador mais nostálgico, Rui Vilhena construiu uma novela pautada pelos básicos clichês da teledramaturgia, como troca de bebês, amores impossíveis e falsa gravidez. Um verdadeiro novelão. A fórmula estaria mais do que correta se o autor não exagerasse na dose e apresentasse um folhetim com temas repetitivos e uma trama que caminha em círculos.

A mocinha Sandra, interpretada por Isis Valverde, está “ad eternum” envolvida nos mesmos dilemas: ser aceita por sua nova família e colocar em dúvida seu amor por Rafael, de Marco Pigossi. A maçante busca em descobrir o segredo de Carlota, de Giulia Gam, é o mote principal de diversos personagens como Vitória e Luisa, papéis de Bianca Bin e Alexandra Richter, respectivamente. A tresloucada Susana, de Alessandra Negrini, vive em uma eterna humilhação e perseguição do ex-amante Fernando, de Marco Ricca. Ou seja, nada é explorado profundamente, mostrando apenas uma série de assuntos vazios e rasos.

O casal de protagonistas, inclusive, se tornou apenas mais um na multidão. Apesar do entrosamento e do bom momento dos atores no folhetim, a história de amor entre Sandra e Rafael fica bastante aquém das expectativas. Sem uma trama envolvente e sem empecilhos amorosos críveis e que obriguem o público a torcer, os dois ficam presos entre lamúrias e juras de amor.

Ainda assim, se os protagonistas de Rui Vilhena não empolgam o telespectador, o mesmo não pode ser dito de seus vilões. Em boa fase, Giulia Gam ganhou cada vez mais espaço dentro da história e se sai muito bem como a maquiavélica e manipuladora Carlota. Vitória, que deveria ser a principal ameaça do casal de protagonistas, tem seu foco narrativo totalmente voltado para descobrir o passado misterioso da mãe adotiva. Conhecida pelas mocinhas, é no papel de aspirante a vilã que Bianca consegue mostrar seu amadurecimento cênico. Já Alessandra Negrini também se sobressai como a psicótica Susana, que desenvolveu uma paixão doentia e obsessiva por Fernando. Ou seja, graças a uma direção e edição ágeis e personagens fortes, a trama de “Boogie Oogie” consegue driblar o marasmo e camuflar a história fraca e rasa do folhetim das seis.

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