Preços eram combinados, diz juiz

iG Minas Gerais |

Para Sérgio Moro, esquema reunia cartel de empresas para propina
DIVULGAÇÃO/SESP. - 14.10.2014
Para Sérgio Moro, esquema reunia cartel de empresas para propina

Curitiba. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância da Justiça, diz no despacho que autorizou as prisões efetuadas nesta sexta-feira que o esquema de corrupção na Petrobras pode ter provocado danos bilionários à estatal e aos cofres públicos.

De acordo com relato do juiz, o esquema reunia um cartel formado pelas maiores empreiteiras brasileiras que combinavam quem ganharia as licitações para obras da Petrobras. Nessas concorrências, diz ele, as empresas cobravam preço máximo e depois distribuíam propina em valores correspondentes a 2% ou 3% do contrato.

De acordo com o documento do juiz, parte da suposta propina era repassada ao doleiro Alberto Yousseff, suposto chefe do esquema, que transferia o dinheiro a agentes públicos. “Tomando-se os valores milionários ou bilionários destes contratos (entre a Petrobras e empreiteiras suspeitas), os danos sofridos pela empresa estatal, cujo acionista majoritário é a União e, em última análise, o povo brasileiro, atingem milhões ou até mesmo bilhões de reais”, diz Moro.

No despacho, o juiz afirma que o esquema identificou “quatro grupos criminosos dedicados principalmente à lavagem de dinheiro e crimes financeiros no mercado negro de câmbio”. Esses grupos seriam liderados pelos supostos doleiros Carlos Habib Chater, Alberto Youssef, Nelma Mitsue Penasso e Raul Srour.

Com as investigações, relata Moro, descobriram-se as relações de Youssef com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, ambos presos em fases anteriores da Lava Jato. Costa continuou recebendo propina mesmo após ter deixado o cargo.

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