Assunto para o resto da vida

iG Minas Gerais |

Terminado “apenas” o “primeiro tempo” da maior decisão da história do futebol mineiro, muita coisa precisa ser comentada sobre o jogo, sobre tudo que precedeu e sobre o que sucede a merecida vitória do Atlético. Em primeiro lugar, a torcida única, mesmo fruto de uma picuinha provinciana dos dirigentes dos dois clubes e não do bom-senso, propiciou um evento sem confusões, sem pessoas machucadas e até mortas, como vinha sendo rotina em jogos entre os dois maiores clubes do Estado. Depois do vai-e-vem de 10% de ingressos para cá e para lá, com acusações mútuas, inoportunas e lamentáveis dos dois presidentes – que mostram o quanto estão longe de uma postura mais adequada, mais profissional e menos interiorana em pleno 2014 –, Gilvan de Pinho Tavares não aceitou a carga de ingressos disponibilizada pelo Atlético por não ser o número exato de 10% da capacidade oficial da Arena Independência. Se tivesse aberto mão antes, assim que o destemperado Alexandre Kalil descumpriu a palavra e voltou atrás depois de ter dito que não queria mais ingressos em jogos com o Cruzeiro como mandante, teria evitado todo o bate-boca e ainda sairia como um dirigente preocupado com a segurança das duas torcidas e não só em defender os pretensos interesses do Cruzeiro em detrimento do bem comum. Caiu na pilha de Kalil, tanto que o acusou de ter dado um calote na Raposa, o que foi rechaçado veementemente pelo presidente alvinegro. Ficaram trocando farpas quando se tentava pregar a paz entre as torcidas. Coisa de amadores! Para o jogo da volta, até o fechamento desta coluna, na tarde dessa sexta-feira, haveria 10% da carga de entradas do Mineirão para os atleticanos. Ou seja, problemas no próximo dia 26 em Belo Horizonte. Em campo, aconteceu o que não se esperava. Não pelo resultado, mais do que justo, como já escrevi, mas pela postura fria, sem raça, sem vontade e, por consequência, sem futebol do Cruzeiro, um time que parecia estar disputando um clássico pela segunda rodada da primeira fase do Mineiro. O Atlético não tem nada a ver com isso. Deu um banho tático no rival, poderia ter goleado e conseguiu uma grande vantagem, dando um passo gigantesco para sair da fila nacional e ainda evitar a bi tríplice coroa. O time nem fez uma partida sensacional, mas marcou muito e não correu riscos em momento algum. Ter jogado no Independência foi fundamental, aí sim ponto para Kalil, que tinha o direito de escolher o Horto, gostando muita gente ou não, como eu. Para o duelo final, ao Cruzeiro só resta uma coisa: entrar em campo com a faca nos dentes, mesmo que não seja sua escola, e encaixar um jogo como encaixou vários no primeiro semestre. Se conseguir seis pontos dos nove que vai disputar no Brasileirão até o dia 26 e chegar ao segundo embate da decisão da Copa do Brasil virtualmente campeão do Nacional, se não matematicamente, o time estrelado entrará em campo muito menos pressionado, se é que isso é possível. Já o Galo está na boa. Ninguém melhor dos que os jogadores do Atlético sabe o quanto é difícil reverter a vantagem que eles têm. Vão usar isso e a pouca paciência da torcida celeste para jogar toda a obrigação do embate para o lado azul. Acho muito difícil o Atlético perder esse título. Claro que em futebol tudo é possível, mas, de tanto fazer o impossível, o Galo tá com pinta de campeão, assim como aconteceu na Libertadores de 2013.

Luan. O jogador merece tudo o que está colhendo no Galo. Nunca reclamou da reserva e sempre demonstra muita garra e muita vontade, aliadas à uma certa técnica, que pode não ser das mais apuradas, mas é suficiente para fazer dele, no momento, o jogador mais importante do elenco. A humanidade precisa de uns maluquinhos de vez em quando. Levir Culpi também é digno de reverência. Além da competência tática, superou rusga com Kalil em nome de um bem maior, o Clube Atlético Mineiro.

Devendo, e muito. Everton Ribeiro é um grande jogador, não craque. Jogou muito em 2013 e no primeiro semestre deste ano, mas está deixando a desejar, seja por quais motivos forem, até o tão alardeado cansaço, legítimo, mas superável. Para isso o Cruzeiro tem profissionais gabaritados na preparação física, fisiologia e nutrição. Ricardo Goulart também não vem bem. Precisam chamar a responsa. É nessas horas que os jogadores que “fazem” a diferença precisam mostrar que fazem mesmo.

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