Reforma pode chegar a 60%

Presidente Dilma Rousseff quer fazer renovação ambiciosa e reduzir espaço do PT na Esplanada

iG Minas Gerais |

G-20. Dilma prometeu anunciar novo ministro da Fazenda após reunião do G-20, que vai até amanhã
Roberto Stuckert Filho / PR
G-20. Dilma prometeu anunciar novo ministro da Fazenda após reunião do G-20, que vai até amanhã

Brasília. Com desafios para superar na economia e na política, a presidente Dilma Rousseff fará a mais ambiciosa reforma ministerial de seu governo. Ela pretende reduzir o espaço do PT na Esplanada e mudar cerca de 60% dos cargos de primeiro escalão.

As negociações para a mudança na equipe que inaugurará o segundo mandato não começaram para a maioria dos postos. A única operação já em curso é para a escolha do titular da Fazenda.

Dilma tem conversado pouco sobre os seus planos para a equipe econômica. Na semana que vem, pretende falar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, seus subordinados duvidam de que uma definição saia nos próximos dias.

Segundo assessores presidenciais, dois critérios vão pesar na escolha da nova equipe: representatividade política (o ministro terá de controlar a bancada de seu partido no Congresso) ou notabilidade na área em que for comandar.

Em diálogos recentes, Lula avisou a petistas que Dilma tem de repaginar seu ministério de maneira profunda e que o espaço do PT deve ser sacrificado com os futuros remanejamentos e demissões.

O PT, por exemplo, reconhece que pode perder Fazenda e Educação, duas pastas nas mãos da sigla desde 1º de janeiro de 2003 – começo do primeiro mandato de Lula.

Nenhuma das apostas para liderar a equipe econômica é filiada à legenda. Entre os mais citados estão Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central no governo Lula), nome apoiado pelo ex-presidente Lula; Nelson Barbosa (ex-número 2 da Fazenda na gestão Dilma), alternativa que tem a simpatia do PT e de empresários, embora Barbosa tenha negado qualquer convite; e Alexandre Tombini, atual chefe do Banco Central.

Auxiliares diretos da presidente têm dúvidas sobre a indicação de Meirelles, nome descartado por Dilma em reformas anteriores. Esses interlocutores lembram que, durante a campanha, a então candidata fez um discurso muito forte contra banqueiros, e, portanto, pegaria mal nomear um deles agora. Outros auxiliares ponderam que a escolha de alguém chancelado pelo sistema financeiro afastaria a pecha de governo “antimercado”.

Orçamento. No caso da Educação, a possível saída do PT do comando da pasta também não é trivial. O ministério terá, em 2015, a segunda maior verba para investimento da Esplanada (R$ 12,6 bilhões) – perderá apenas para os Transportes, com R$ 13,5 bilhões, hoje comandado pelo PR. Dilma gostaria de nomear o governador Cid Gomes (Ceará) para a cadeira, mas este resiste por preferir um cargo no Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Ideli faz lobby no Senado por vaga no TCU Brasília. A ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos) percorreu esta semana gabinetes do Senado em campanha para ser indicada à vaga de ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), na vaga de José Jorge. Ela tenta vencer resistências no Congresso, após uma relação conturbada no período em que foi ministra das Relações Institucionais do governo Dilma, de 2011 até março deste ano. Porém, sua indicação não é tranquila; os peemedebistas vêm trabalhando pela candidatura do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para o TCU.

Sai ou fica?

Nomes. Pelo menos quatro ministros de Dilma Rousseff devem permanecer na Esplanada no próximo mandato, ainda que sejam remanejados de seus atuais cargos para outras pastas.

Especulações

Dívidas. Para retribuir o apoio recebido durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff já deixou algumas mudanças acertadas antes da viagem para participar da reunião do G-20.

Lealdade. 0 presidente nacional do PSD e ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab deve ser indicado para o Ministério das Cidades.

Surpresa. Já o ministro dos Esportes deve ser indicado pelo governador reeleito do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão e pelo prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, ambos do PMDB. Força. Para a presidente, seria importante ter alguém do Estado à frente dos Esportes durante a Olimpíadas de 2016.

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