Empresários vão para a prisão

Operação Lava Jato tira a liberdade de executivos de grandes empreiteiras em ação inédita no país

iG Minas Gerais |

Presidente daconstrutoraUTCRicardo Pessoa, acompanhadopor agentes da PF, chega à sededaPolícia Federal, na zona Oestede São Paulo
MARCOS BEZERRA/estadão conteúdo
Presidente daconstrutoraUTCRicardo Pessoa, acompanhadopor agentes da PF, chega à sededaPolícia Federal, na zona Oestede São Paulo

Brasília. A Polícia Federal prendeu, nesta sexta, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e executivos da cúpula de grandes empreiteiras do país suspeitas de pagar propina para fechar contratos com a estatal. Foi a primeira vez que integrantes do comando de grandes empresas são alvos de investigação criminal que culmina em prisões efetivas. A ação é a sétima fase da operação Lava Jato, que pretende desvendar um esquema de lavagem e desvios de dinheiro. Ao todo, foram presas 18 pessoas.

Nove empresas, pertencentes a sete grupos, têm contratos que somam cerca de R$ 59 bilhões com a Petrobras, considerando o período de 2003 a 2014. Segundo as investigações, parte desses contratos se destinava a esquentar o dinheiro que irrigava o caixa de políticos e campanhas.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas sede da Camargo e Corrêa, OAS, Odebrechet, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa. Foram emitidos mandados de prisões preventivas e temporárias contra 27 pessoas, dos quais 18 foram cumpridos nesta sexta. Foram bloqueados R$ 720 milhões dos executivos investigados, até o limite de R$ 20 milhões por pessoa. Não houve bloqueio das contas das empresas.

Foram presos, entre outros, o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, o diretor superintendente para a área de petróleo e gás da empreiteira, Agenor Medeiros, o presidente da UTC/Constran, Ricardo Pessoa, e o vice da Engevix, Gerson Almada. O diretor Dalton dos Santos Avancini, da Camargo Corrêa, não foi localizado. Já Ildefonso Colares Filho, da Queiroz Galvão, se entregou no fim da tarde desta sexta. O vice-presidente da Mendes Junior, Sérgio Cunha Mendes, não foi preso. A polícia não o encontrou e, nesta sexta, negociava sua entrega com os advogados do executivo. O presidente da Engevix, Cristiano Kok, foi conduzido coercitivamente para depor na PF em São Paulo. Ele, no entanto, preferiu ficar em silêncio e foi liberado.

O Ministério Público havia pedido a prisão de Márcio Faria, presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, e de Rogério Araújo, diretor da empresa. O pedido, porém, foi negado pelo juiz federal Sergio Moro.

Multa. O uso de empresas de fachada levará a Receita Federal a cobrar R$ 1 bilhão em impostos não pagos, multas e juros das empreiteiras. A estimativa é do coordenador de Pesquisa e Investigação da Receita Federal Gerson Schaan. Segundo ele, já é possível calcular esse valor com base em provas de ilícitos tributários e aduaneiros já obtidas. As empreiteiras citadas, com exceção da Iesa, informaram à imprensa que estão colaborando com as investigações.

Minas

Ação. No Estado, dois executivos da Mendes Júnior foram levados à PF para prestar esclarecimentos. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão de documentos e arquivos.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave