Petrobras perdeu metade do valor em dois meses e meio

Ações ON da empresa, que em setembro valiam R$ 23,29, nesta sexta foram negociadas a R$ 12,53

iG Minas Gerais |

Crise. Construção da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em Pernambuco, é alvo de investigações por superfaturamento e atrasos
Luciana Ourique/Agência Petrobras/Divulgação
Crise. Construção da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em Pernambuco, é alvo de investigações por superfaturamento e atrasos

São Paulo. Desde setembro, as ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já caíram quase 50%, em meio ao cenário eleitoral, à indefinição sobre a nova equipe econômica de Dilma Rousseff e às denúncias de corrupção na companhia – que já tem dois ex-diretores presos. Do dia 2 de setembro para cá, os papéis ON desvalorizaram 46,2%, e as ações PN caíram 47,12%.  

O valor de mercado de uma empresa com capital aberto na Bolsa é calculado pelo preço de negociação das suas ações no pregão. O pico da Petrobras foi atingido no dia 21 de maio de 2008, quando a empresa fechou com US$ 309,48 bilhões. No dia 14 de outubro deste ano, já em meio ao processo eleitoral, a Petrobras ainda era a empresa de maior valor na Bolsa brasileira, mas seu valor estimado já havia caído para US$ 116,3 bilhões. A segunda empresa mais valiosa da Bolsa na ocasião era a Ambev (US$ 105,2 bilhões).

Hoje, a Ambev é a empresa mais valiosa da Bolsa, com R$ 248,34 bilhões. Desde o último dia 29 de outubro, segundo levantamento da consultoria Economática, o banco Itaú ultrapassou a Petrobras em valor de mercado. Pela cotação desta sexta, informada pela Economática, o valor de mercado do Itaú é R$ 182,82 bilhões, enquanto a Petrobras fechou o dia valendo R$ 169,06 bilhões.

O sobe e desce é enorme. Nesta sexta as ações encostaram no menor valor desde 19 de março. Mas, no dia 2 de setembro, por exemplo, fecharam no maior patamar desde abril de 2011, em plena ascensão de Marina Silva na campanha. O mercado reagia com euforia a cada pesquisa que mostrasse algum opositor da presidente Dilma Rousseff em vantagem.

Depois do primeiro turno, as ações subiram ainda mais, com 11% de alta. Quanto mais se acirrava a disputa entre Dilma e Aécio Neves, mais a estatal ia sofrendo quedas consecutivas na Bolsa. A situação crítica culminou com mais uma rodada de buscas, apreensões e prisões ligadas à corrupção na empresa nesta sexta, e ao adiamento da publicação do balanço da estatal, que deveria ter sido enviado à Comissão de Valores Mobiliários até nesta sexta. A estatal esperava o aval da PricewaterhouseCoopers, que audita o balanço, e impôs condições para assinar os resultados.

Comunicados confusos trazem insegurança aos investidores RIO DE JANEIRO. O vai e vem de informações sobre o balanço da Petrobras e a decisão de publicar os dados sem o parecer da auditoria externa foram vistos com ressalva por especialistas em governança corporativa e contabilidade. Comunicados confusos trazem insegurança ao investidor, afirmam, e a publicação de balanço sem a chancela de uma auditoria independente suscita dúvidas sobre os números. “Essa volatilidade de informes não é interessante. Isso causa insegurança para quem analisa as informações da empresa”, diz o professor da área de Contabilidade e Finanças da UFRJ Adriano Rodrigues. Sérgio Almeida, presidente da consultoria Value Bridge, concorda, afirmando que a divulgação de diferentes informações traz dúvidas sobre a maneira que a companhia vai tratar seus números. Para o advogado da área de mercado de capitais Modesto Carvalhosa, um balanço sem aval da auditoria independente “não tem nenhum valor para uma companhia aberta e sob jurisdição do Tribunal de Contas da União (TCU)”.

Raio X Petrobras: Sociedade anônima de capital aberto, cujo acionista majoritário é a União (representada pela Secretaria do Tesouro Nacional) Atua no Brasil e em mais 17 países Acionistas: 798.596 Empregados: 86.111 Plataformas de produção: 134 (77 fixas e 57 flutuantes) Refinarias: 15 Navios: 326 (sendo 57 de propriedade da Petrobras) Postos: 7.710 Usinas termelétricas: 21 Usinas eólicas: 4 Fertilizantes: 3 fábricas Fonte: Petrobras

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave