Falta d’água reduz geração e impacta nas contas da Cemig

De janeiro a setembro, ganhos da estatal caíram 11%

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Quase seca. 
Três Marias tem o menor nível da história e só uma turbina continua gerando energia
Paulo Bellardini / Jornal Buriti
Quase seca. Três Marias tem o menor nível da história e só uma turbina continua gerando energia

A geração das usinas hidrelétricas do Brasil foi 14% menor do que a média no terceiro trimestre de 2014, o que obrigou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a rever o GSF (Fator de Ajuste de Geração, na sigla em inglês). Na prática, isso significa que, por falta de água, as geradoras produziram menos energia do que são capazes e, para honrar seus contratos, tiveram que recorrer ao mercado livre, onde a energia está com o preço nas alturas.

O resultado apareceu nas contas das companhias: a Cemig, por exemplo, teve uma queda de 11% no seu lucro líquido considerando o período de janeiro a setembro comparado ao mesmo período de 2013. Se a análise for só do terceiro trimestre, o lucro líquido despencou 96% em relação aos mesmos meses do ano passado.

“O preço da energia está bastante alto. O resultado foi impactado pela situação energética do país”, afirma o diretor de finanças e relações com investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla. Nos primeiros nove meses do ano, as despesas da Cemig subiram 23% e a compra de energia foi o que puxou a conta para o alto.

A expectativa é que o GSF comece a ser recomposto no próximo trimestre, já que a estação de chuvas começa agora e vai até março de 2015. “Vamos pedir para São Pedro ajudar, porque precisamos muito dessas chuvas”, diz Rolla. Mas, como o nível dos reservatórios está muito baixo, as térmicas continuarão a ser usadas em 2015, o que significa energia cara. “Qualquer que seja o volume de chuvas, as térmicas vão continuar despachando em 2015 e a consequência é que o custo da energia vai continuar alto”, afirma.

Nesta sexta, de acordo com o ONS, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que concentram 70% da capacidade de armazenamento do país, estavam com 16,53% de seu volume máximo. O caso mais crítico é do de Três Marias, que está com 2,57% de sua capacidade. Das seis turbinas da usina, apenas uma continua gerando energia. Esse é o volume mais baixo já registrado desde que a usina entrou em operação, em 1962.

Balizador para preço de energia permanece no teto São Paulo. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou nesta sexta que o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), utilizado como balizador para o preço da energia transacionada no mercado de curto prazo, manteve-se estável e no patamar máximo, de R$ 822,83 por MWh, para o período de 15 a 21 de novembro de 2014. Segundo a CCEE, a manutenção do preço deve-se às afluências previstas para o sistema, que mantiveram-se praticamente estáveis em relação ao valor que havia sido projetado. A expectativa é de uma redução de apenas 100 MW médios nas afluências para as próximas semanas, o que representaria 70% da média histórica para o sistema no mês de novembro.

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