Demissões ultrapassam contratações em outubro

Saldo para o mês fica negativo pela primeira vez em 15 anos

iG Minas Gerais |

Construção civil. 
Setor liderou o ranking das demissões, com encerramento de 33,55 mil vagas
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Construção civil. Setor liderou o ranking das demissões, com encerramento de 33,55 mil vagas

Brasília. O saldo líquido de empregos formais gerados em outubro ficou negativo em 30,28 mil, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). É a primeira vez, para meses de outubro, que o Brasil demite mais do que emprega, segundo dados da série histórica. O estudo começou a ser feito 1999, ou seja, há 15 anos.

O saldo do mês passado é resultado de cerca de 1,71 milhão de admissões e de 1,74 demissões. No acumulado do ano até outubro houve criação líquida de empregos formais de 912,28 mil vagas. A geração de empregos no mês passado ficou bem abaixo do resultado de outubro de 2013, quando houve criação de 94,89 mil vagas pela série sem ajuste

Os setores de construção civil, agricultura e indústria de transformação foram os principais responsáveis pelas demissões verificadas no mês passado.

A construção civil apresentou um saldo negativo de 33,55 mil vagas, a agricultura encerrou 19,62 postos de trabalho e, a indústria de transformação, 11,84 mil. A extrativa mineral fechou 557 vagas. Os serviços industriais de utilidade pública também encerraram vagas, num total de 85.

O economista-chefe da Gradual, André Perfeito, acredita que as demissões no agronegócio podem estar relacionadas à instabilidade do clima, que está provocando problemas em safras no sul do país, por exemplo.

Comércio e serviços. Por outro lado, o comércio abriu 32,77 mil vagas e o setor de serviços abriu 2.433 postos de trabalho. A administração pública teve um saldo positivo de 184 vagas.

O economista da Gradual avalia que a resistência do emprego no setor de serviços mostra que a inflação pode ter dificuldade em reagir à alta da Selic. “Com as demissões, os salários devem deixar de subir, só que serviços, que impacta demais a inflação, continua contratando. Fica claro que por enquanto o reflexo maior do aumento da taxa de juros está em outros setores”, afirmou Perfeito.

Resultado indica que PIB recuará Porto Alegre.  Após a surpresa negativa com o saldo negativo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês de outubro, a Gradual Investimentos revisou para baixo sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. Segundo o economista-chefe André Perfeito, a expectativa passou de um crescimento de 0,3% para zero. “Ninguém esperava esse resultado, mas ele confirma a perspectiva de uma desaceleração da atividade no fim do ano”, disse o economista.

Saldo de emprego

Construção Civil - 33,55 mil vagas Agricultura -19,62 mil vagas Comércio + 32,77 mil vagas  Serviços + 2.433 vagas Fonte: MTE

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