Presidente do Chile fala sobre tortura e namorado

Em programa de TV, Michelle Bachelet disse que quer saber o que aconteceu com Jaime López

iG Minas Gerais |

Bachelet (à dir.) e a mãe foram presas durante a ditadura no Chile
LUIS HIDALGO/AP – 10.9.2013
Bachelet (à dir.) e a mãe foram presas durante a ditadura no Chile

SANTIAGO, Chile. “Fui alvo de tortura psicológica essencialmente e de alguns golpes, mas não me parrillaron (choques elétricos com a pessoa deitada sobre molas metálicas)”. A declaração da presidente do Chile, Michelle Bachelet, é parte de uma entrevista concedida por ela na noite dessa quinta à TV chilena.

Durante o especial “Eu Michele, a Bachelet que não conhecias”, comandado pelo jornalista Iván Nuñez, a mandatária chilena falou sobre a tortura a que foi submetida no Centro de Detenção Villa Grimaldi, em Santiago, durante a ditadura militar. Ela também falou, pela primeira vez, sobre seu relacionamento com Jaime López Arellano, um dirigente socialista que na época do golpe militar, em 1973, era seu namorado. Há rumores de que López teria colaborado com a polícia secreta e, desde sua prisão, está desaparecido.

Bachelet foi detida em 1975 junto com sua mãe, Ángela Jeria, durante a ditadura de Augusto Pinochet. Filha do general Alberto Bachelet, que morreu na cadeia, a presidente considerou que teve muita sorte em relação a outros presos políticos, muitos dos quais nunca se soube o destino.

Reserva. Assunto evitado publicamente, o relacionamento de López e a presidente foi abordado no livro “Bachelet, a história não oficial”, de Andrea Insunza e Javier Ortega, publicado em 2005. À emissora TV Chilevisión, a governante disse que há várias versões para o que se passou com o namorado na cadeia.

“Uma é que ele, vítima da tortura, teria entregado nomes. No entanto, ele morou nas casas de pessoas cujos nomes não entregou. Outros dizem que ele entregou certos nomes porque lhe disseram que, se não o fizesse, iam matar a mim e à minha mãe no exterior” contou Bachelet, que se encontrou com o namorado na Alemanha Oriental antes que ele regressasse ao Chile e fosse preso como líder do Partido Socialista na clandestinidade.

“Gostaria de saber o que aconteceu realmente: se está desaparecido, se está morto, se está em algum outro lugar”, afirmou a presidente.

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