Partido de Maduro quer que políticos denunciem colegas

Caça aos dissidentes seria uma forma de intimidar vozes dissonantes no PSUV

iG Minas Gerais |

Apelo.No Twitter, Ameliach divulgou canais para que supostos inimigos infiltrados sejam denunciados
o:Prensa Gobernación Bolivarian
Apelo.No Twitter, Ameliach divulgou canais para que supostos inimigos infiltrados sejam denunciados

Caracas, Venezuela. O clima de tensão política na Venezuela – que se intensificou após uma onda de protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro no início deste ano, quando ao menos cinco pessoas morreram e dezenas foram presas – parece que ter começado a provocar divergências no próprio grupo político do líder do país. Prova disso é que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no qual Maduro é filiado, lançou uma campanha para incentivar seus membros a delatar supostos inimigos infiltrados no grupo. As informações são do jornal “Folha de S.Paulo”.

“O militante que estiver fomentando a desunião deve ser denunciado por meio de: denunciainfiltradospsuv@gmail.com, e, por SMS, no 04169425792”, escreveu no Twitter na quarta-feira (12) o vice-presidente de Organização e Temas Eleitorais do PSUV, Francisco Ameliach.

Contudo, ainda não ficou clara a qual retaliação aos acusados de agir de maneira sorrateira em favor da oposição estaria sujeito.

O apelo feito por Ameliach, que é governador de Carabobo, faz coro a uma mensagem semelhante de Diosdado Cabello, primeiro-vice-presidente do PSUV e presidente da Assembleia. Em seu programa semanal na TV, Cabello pede que “traidores” sejam denunciados.

Intimidação. A caça aos supostos infiltrados é tida como uma manobra para intimidar vozes dissonantes dentro do PSUV às vésperas das eleições que definirão, no dia 23, o novo comando da sigla.

Embora não haja nenhuma referência direta, o principal alvo das pressões é o movimento Marea Socialista, corrente do PSUV à beira da ruptura com a cúpula.

O Marea Socialista se diz fiel seguidor do projeto político de Hugo Chávez, morto no ano passado, mas afirma que o governo tem ampla responsabilidade pela crise.

A atual situação dos cidadãos venezuelanos é de grande dificuldade. Eles sofrem com escassez de remédios e produtos básicos, como sabão e desodorante. A inflação supera 63%, e a criminalidade, propalada pela corrupção generalizada da polícia, aterroriza a população.

“Fazemos uma autocrítica construtiva e apresentamos propostas concretas para lidar com os problemas”, disse Norberto Nunes, membro do Marea Socialista e vice-presidente da Fundação Socialismo do Século XXI, em entrevista à Folha.

Popularidade

Apoio. Pesquisas recentes mostram que a popularidade de Maduro está em 30%. O governo também perdeu apoio de alguns coletivos, como são chamados os grupos sociais e paramilitares.

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