Implantação do Move no Anel depende de reforma da via

Trâmite para criação do sistema já está em andamento, e até recurso para projeto já foi liberado

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Cheio. Anel recebe diariamente fluxo de cerca de 120 mil veículos
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Cheio. Anel recebe diariamente fluxo de cerca de 120 mil veículos

A criação do Move no Anel Rodoviário de Belo Horizonte esbarra na revitalização da própria rodovia. Com obras emergenciais e estruturais esperadas há décadas, a via foi escolhida pela Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) para receber um sistema no mais completo padrão BRT, como nas avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado. O problema é que ele não pode ser implementado enquanto a recuperação da via não estiver pronta, e nem o projeto da reforma foi concluído.  

O Ministério das Cidades já aprovou os R$ 12 milhões solicitados para a elaboração do projeto executivo do BRT. Em carta-consulta enviada ao governo federal para a obtenção dos recursos, a BHTrans assinalou o Move como solução de transporte coletivo para o Anel, entre uma série de opções disponíveis no documento, como trem urbano, Veículo Leve sobre Trilho (VLT) e corredor exclusivo para ônibus.

Essa última foi a escolhida para o Expresso Amazonas, ou Move “light” da avenida Amazonas, uma versão “simplificada” do BRT, sem pistas totalmente segregadas. O sistema, divulgado com exclusividade por O TEMPO, também já obteve recursos da União para projetos e obras.

Características. O Move do Anel seguirá as premissas fundamentais do sistema de BRT. Serão 35 km de faixas totalmente segregadas, com estações de transferência ao longo dos corredores e terminais maiores de integração com outros sistemas de transporte coletivo. Ele terá linhas tronco-alimentadoras (ligando bairros ao centro), entre diretas e paradoras, com ônibus articulados semelhantes aos usados nesta sexta no Move. A intenção é que ele seja instalado nas marginais.

A estimativa é que o Move do Anel tenha uma demanda de 160 mil passageiros em dias úteis, chegando a 200 mil no futuro. Os usuários poderão fazer integração direta com outros corredores, por meio de estações próximas à rodovia, como a São Gabriel, na Cristiano Machado, e a São Francisco, na Antônio Carlos. Eles terão acesso também aos coletivos convencionais que passam por avenidas que cortam o Anel, como a Carlos Luz, a Amazonas e a Nossa Senhora do Carmo.

“O Anel Rodoviário é a única opção de articulação entre os corredores sem ter que passar pelo centro da cidade. O Move nessa via será uma excelente opção de transporte público e resguardará a segurança dos usuários, já que os ônibus circularão em via segregada, protegidos dos demais veículos e os usuários estarão acomodados confortavelmente em estações fechadas”, justificou a BHTrans, na carta-consulta.

O consultor em transportes Silvestre de Andrade concorda que o sistema é necessário no local, mas ressalta a importância de o projeto ser minucioso no quesito segurança. “O BRT é muito bem-vindo ali, mas como o Anel é uma via de trânsito rápido e com muitos acidentes, tem que haver passarela em todas as estações e pista segregada em toda a extensão por onde o ônibus passar, seja na marginal ou na expressa”, concluiu Andrade.

Trâmites para a implantação do sistema na estrada

PAC. O BRT do Anel foi enquadrado no PAC da Mobilidade Urbana, da União. O Ministério das Cidades informou que, após contratação e início do projeto, os recursos serão liberados de acordo com o cronograma de execução.

Licitação. A verba já aprovada será destinada a estudos preliminares do sistema e ao projeto executivo. Não há previsão de abertura da licitação.

Entrave. Após iniciado o projeto, o prazo é de 12 meses para conclusão.

Obras. Ainda segundo a BHTrans, não há previsão de início das obras de instalação do Move no Anel Rodoviário, uma vez que os recursos aprovados são apenas para projetos.

Ibirité ganha nesta sexta terminal metropolitano e novas linhas Ibirité, na região metropolitana, passa a contar nesta sexta com um terminal metropolitano de ônibus convencionais. Localizado na rodovia Renato Azeredo, sem número, no bairro Vila dos Pinheiros, o terminal serve de ponto de partida para 16 linhas, seis delas com Belo Horizonte e Contagem como destinos. Além das duas linhas que já existiam (Ibirité – via avenida Amazonas e Ibirité/Estação Eldorado), entrarão em operação outras quatro linhas que terão como destino final capital. Os pontos finais estão no BH Shopping, na região hospitalar, no Barreiro e na região central. O passageiro que usar uma linha vinda dos bairros poderá embarcar em outra dentro do terminal sem pagar mais por isso. Na estação é permitida também a integração tarifária com o metrô.

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