Planetário desperta sonhos

Iniciativa da prefeitura leva sistema solar para dentro das escolas públicas municipais

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Atração. 
Intenção da Prefeitura de Lagoa Santa é levar atração, constituída por domo inflável, às 23 escolas da rede pública da cidade
Lincon Zarbietti / O Tempo
Atração. Intenção da Prefeitura de Lagoa Santa é levar atração, constituída por domo inflável, às 23 escolas da rede pública da cidade

Poderia ser uma tarde qualquer, mas, para 17 alunos do quarto ano de uma escola pública de Lagoa Santa, na região metropolitana, a quinta-feira foi dia de viajar ao espaço. Sentados no chão do pátio, envoltos por uma tenda escura, olhares curiosos e ouvidos atentos acompanhavam um vídeo com a história do sistema solar, projetado dentro de um planetário digital. A iniciativa, inédita nas escolas públicas de Minas Gerais, teve início no fim de outubro e vai, agora, percorrer todas as escolas municipais da cidade.  

O objetivo, segundo a Secretaria Municipal de Educação de Lagoa Santa, responsável pela ação, é aliar tecnologia e ensino para despertar cada vez mais o interesse dos alunos. Segundo a prefeitura, como o planetário é móvel e de fácil manuseio, pode ser levado às 23 escolas do município, com agendamento prévio. Em setembro, um representante de cada instituição passou por treinamento com técnicos da Hiperlab, empresa responsável pelo sistema, para aprender a montar o equipamento.

Gerente de Educação da prefeitura, Thaisa Hostalácio Rosa afirma que a nova aquisição vai enriquecer o processo de aprendizagem dos alunos. “A escola tem que se adequar à realidade atual, buscando mecanismos para atingir a criança. E o planetário é uma das formas de fazer isso”, diz.

A Escola Municipal Dona Marucas, que recebeu a tecnologia na última semana, foi a quinta do município a usar o planetário. “É difícil a criança ter interesse no livro parado, por isso a gente busca novas ferramentas. Elas ajudam a tornar a aprendizagem mais significativa”, diz a diretora Telma Gonçalves. “Para muitos, essa vai ser a única oportunidade de conhecer um planetário. E eles adoram, os olhos saem brilhando”.

Sonhos. E os olhos brilham mesmo. Para os estudantes, a experiência foi como viajar em uma espaçonave. “Foi muito divertido. Em vez de ficar na sala, a gente vai lá para fora, e está estudando do mesmo jeito”, diz Bianca Ribeiro, 9. Após meia hora no planetário, alguns garantem querer ser cientistas e até astronautas. “Queria ir para Marte ver se tem vida lá. Se tiver, e se os marcianos forem amigáveis, a gente podia aprender os costumes deles”, diz Guilherme Rodrigues da Silva, 9. Já o colega Kevinn Pereira Sena, 10, pretende montar um foguete para levar a turma ao espaço. “Quero ir a Júpiter, para pesquisar as tempestades”.

Vice-diretora e professora da escola, Vivieni Frazão afirma que é nítida a diferença de comportamento dos alunos que vivenciam experiências fora de sala. “A gente sente no dia a dia que eles são os mais questionadores.”

Utilização de ferramenta extrapola área de astronomia

Digital. O planetário digital realiza operações como simulação do céu em diferentes pontos da Terra e deslocamentos no espaço. O sistema é operado pelos próprios professores, por meio de um controle remoto.

Conteúdos. Embora se chame planetário, o equipamento extrapola conteúdos de astronomia e também pode ser usado para outras disciplinas, como biologia e geografia. Professores também podem preparar conteúdos em software específico. Abrangência. A Hiperlab tem experiências com planetários digitais em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas.

Público

Meta. O planetário digital móvel de Lagoa Santa tem 35 metros quadrados e comporta até 40 pessoas por sessão. A intenção é que ele atenda os 9.000 alunos da rede municipal.

Tecnologia deve ajudar na educação A tecnologia deve ser usada em benefício da educação, na avaliação de especialistas. “Costumamos chamar isso de Educação 3.0. Hoje temos alunos que estão quase um século à frente de seus professores em termos de tecnologia, e é preciso despertar a atenção desses meninos”, afirma o professor de física e mestre em tecnologia André Parreira, diretor da empresa Hiperlab. “Não podemos ter, do lado de fora da sala de aula, um mundo altamente tecnológico e, dentro dela, um cenário de quadro verde e giz, porque isso dá a impressão de que a sala é coisa chata”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave