“Love Story” volta ao cinema

O grande sucesso dos anos 70, com Ali MacGraw e Brien O’Neal, é atração deste fim de semana no Cinemark

iG Minas Gerais |

Sucesso. “Love Story” continua sendo um grande sucesso após quatro décadas de seu lançamento
Paramount/Divulgação
Sucesso. “Love Story” continua sendo um grande sucesso após quatro décadas de seu lançamento

São Paulo. Para dimensionar o sucesso de “Love Story” – que volta, hoje e amanhã, nos clássicos restaurados da Cinemark –, talvez seja bom fazermos antes uma viagem no tempo, até a época em que o filme foi concebido como um projeto do executivo da Paramount Robert Evans, para sua então mulher, a atriz Ali MacGraw. E, para situar a gênese da obra, é bom reportar-se ao roteiro escrito por Erich Segal e que está na origem do filme e do livro que virou um best-seller internacional. 

Professor de literatura comparada em Oxford, Yale e Princeton, Segal discutia com seus alunos a estrutura clássica do romance. Dissecava com eles o melodrama. De um aluno ouviu a história que virou o plot de “Love Story”. Sobre como um garoto milionário se apaixonou por uma garota da classe trabalhadora. Seu pai o deserdou, ele seguiu em frente. Enfrentaram todo tipo de dificuldade de gente comum para concluir os estudos, casar-se, montar uma casa. “Boy meets girl, boy gets girl” e, finalmente, a perde. “Boy loses girl”, mas não é para um outro nem para a vida, mas para a morte. Ela fica gravemente enferma – de uma doença incurável. Apaixonado, o jovem marido a vê definhar e morrer. Seu pai, tendo descoberto a extensão do amor e do sacrifício do filho, vem lhe pedir perdão.

E Ryan O’Neal, que interpreta Oliver, repete a frase que virou o mote romântico no começo dos anos 70. Depois de “faça amor, não faça guerra”, o refrão virou “amar é nunca ter que pedir perdão”. Entra a trilha de Francis Lai, sobem os créditos, e o público jovem, universitário, seduzido pelo melodrama que falava de sua geração, transformou “Love Story” num grande sucesso – na verdade, no filme que salvou a Paramount.

A produção da Paramount naquele ano enumerava filmes caros que foram fracassos e teriam quebrado o estúdio se a “operação ‘Love Story’” não tivesse superado a expectativa.

Na Paramount, Robert Evans fez “Love Story” como um balão de ensaio. Com o que aprendeu, produziu na sequência, em 1972, “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola, baseado em outro livro (de Mario Puzo). “Love Story” foi um megassucesso planetário e até hoje é possível se perguntar por quê. O filme é todo certo, mas anódino, se comparado aos suntuosos melodramas de Douglas Sirk, 15 anos antes. Talvez tenha sido o que pegou os jovens, essa discrição, ausência de exagero. A relação pai/filho, o conflito entre a segurança da fortuna e o risco da impetuosidade, levaram os velhos para as salas, e eles estavam tentando entender a revolução de seus filhos, dois anos antes, nas maiores universidades dos EUA.

Na vida real, Robert Evans também perdeu sua garota. Ali MacGraw separou-se dele para ficar com Steve McQueen, e contracenou com o novo marido em “Os Implacáveis”, um grande Sam Peckinpah. Até onde se sabe, nem ela nem Stevie nunca pediram perdão a Evans por seu amor. Estavam seguindo o mandamento que o próprio Evans e Erich Segal estabeleceram em “Love Story”.

E, para não fazer crer que operações de marketing com boa dose de cálculo, como as de “Love Story” e “O Poderoso Chefão”, sempre dão certo, a mesma Paramount, em 1974, tentou fazer de “O Grande Gatsby”, baseado no livro de Scott Fitzgerald, um grandioso retorno aos anos loucos, mas o público rejeitou, e o fracasso foi monumental.

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