Novos usos para velhas coisas

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

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Caetano Veloso já dizia que “as coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido”, entre outras características. As coisas, num sentido mais prático, ocupam espaço. Num mundo que cada vez produz mais e em maior quantidade, é preciso que se novos significados e usos sejam dados ao lixo.    Em suas andanças pelo mundo, o curador Marcello Dantas afirmou ter percebido, felizmente, um traço significativo na arte contemporânea: o excesso como matéria-prima. Os “ready-made” – como o mictório que Marcel Duchamp levou para o museu como forma de protesto – fizeram escola e, no centenário da manifestação dadaísta, Dantas inaugura a exposição “Ciclo – Criar com o Que Temos”, que fica no CCBB por dois meses a partir da próxima quarta (19).   “Existe essa sobra no mundo e, finalmente, as pessoas estão se utilizando disso como instrumento para a arte. Vi isso em Bangladesh e em Londres, no Uruguai e Canadá. É um movimento mundial. A revolução industrial nos possibilitou ter múltiplos e agora nós vivemos a revolução do excesso, de onde precisamos extrair a poética de cada um desses objetos”, disseca Dantas, tornando auto-explicativo o título da mostra.    E para representar a tendência global de ressignificação das coisas existentes, “Ciclo” traz 13 artistas de diferentes gerações e nacionalidades, dentre os quais figuram nomes como o italiano Michelangelo Pistoletto, a uruguaia Julia Castagno, o norte-americano Michael Sailstorfer, o mexicano Pedro Reyes e o chinês Song Dong. Este último, cuja foto ilustra a matéria, virá à cidade no dia 29 para construir a maquete comestível da capital mineira, nos moldes do que fez em São Paulo – feita de biscoitos, a peça foi o hit absoluto dentre as obras.   Dentre os outros destaques, Dantas elenca Pistoletto, que montou uma estrutura de aço especificamente para BH e Reyes, que se apoderou de 6.000 armas que cometeram crimes no México e transformou em um instrumento musical.    “A arte está nos olhos de quem faz, de quem transformar qualquer realidade em linguagem poética”, conclui.   Ciclo – Criar Com o Que Temos De quarta (19) a 19 de janeiro de 2015.  Esculturas, instalações e performances para propor novos significados a partir de objetos do cotidiano. CCBB BH (Praça da Liberdade, 450, Funcionários, 3431-9400). De quarta a segunda, das 9h às 21h. Entrada franca.

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