Zeca e Zélia, enfim, juntos

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Zeca Baleiro e Zélia Duncan apresentam em BH show intimista que celebra a realização de um encontro só deles
Alexandre Moreira
Zeca Baleiro e Zélia Duncan apresentam em BH show intimista que celebra a realização de um encontro só deles
A voz grave e o apreço pelo violão são apenas algumas das semelhanças que aproximam Zeca Baleiro, 48, a Zélia Duncan, 50. Os dois fazem parte praticamente da mesma geração da música brasileira e admiram artistas em comum, aos quais seguem fazendo homenagens e participando de gravações e shows.   Se se ouvir bem, até o estilo de composição dos dois é um pouco parecido e estranha o fato de eles não fazerem tanta parceria entre si quanto era de se esperar. Zeca participou de um show da Zélia em Salvador e Zélia esteve presente em duas edições do Baile do Baleiro, mas é “muito pouco, na verdade”, considera o cantor maranhense.    Enfim, chegou a hora de tirar o atraso. Zeca e Zélia se apresentam no Cine Theatro Brasil na próxima sexta e sábado (dias 21 e 22) com um show que estreou em Salvador no início deste ano e roda o Brasil mostrando o quão afins eles são. “O show com Zeca é fruto de um projeto para o qual nos chamaram e que não vingou, porém plantou algo, que decidimos regar e ver crescer bem devagar. Tenho imensa admiração por ele, já era meu parceiro, cantamos algumas vezes juntos e com a afinidade já constatada, nos deu vontade de ir além”, comenta Zélia.    E foram. De acordo com Zeca, a ideia era ser algo pontual, mas gostaram tanto que continuaram com a turnê. O resultado é um show cujo repertório é composto por canções de outros artistas, músicas autorais e peças especialmente compostas para a ocasião. “Temos algumas parcerias, uma gravada por ela no seu penúltimo CD, ‘Se Um Dia Me Quiseres’, e outras inéditas. Elas estarão lá. O resto são alguns (poucos) ‘hits’ e canções de nosso ‘repertório afetivo’, como Tom Zé, Erasmo (Carlos), Accioly Neto, Lucinha, etc”, conta Zeca, ao que Zélia acrescenta Lucinha, Luli, as referências folk e a possibilidade de apresentar as produções inesperadas que acabaram vindo à tona com esse trabalho. Para ela, o setlist foi pensado de acordo com a alegria e a vontade de cantar. “É uma delícia”, define.   Entre as inéditas estão “Escancarado”, “Museu Íntimo” e “Fox Baiano”, o primeiro single da dupla, assinada por Zélia e pelo ex-Novos Baianos, Galvão. Segundo Zeca, os esboços que eles já tinham ganharam agora cara de música acabada muito por causa da proximidade e pela fluidez favorecidas pela parceria. Zélia concorda. “O show e os ensaios estimularam as novas canções. Zeca me põe pra fazer melodia vez em quando e acabo fazendo, mas geralmente faço mais as letras”, conta ela, sobre a maneira como costumam compor</CW>.   Múltiplo   Independente do método, inspiração é o que não falta. “A vida, o amor, a amizade, os absurdos do mundo, o medo de morrer e deixar um monte de coisa inacabada, essas coisas 'inspiram' todo artista. Mas não vivo de inspiração, me considero um trabalhador braçal da arte, quase um operário. Trabalhador múltiplo que é, aliás, Zeca Baleiro acaba de lançar seu primeiro trabalho para o público mirim, “Zoró (Bichos Esquisitos) Vol.1” e o livro “A Rede Idiota e Outros Textos”, baseado na relação das pessoas com a tecnologia atual, com suas benesses e mazelas. “Com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, minha cabeça fica um caos, nem queira saber”, alerta o cantor, entre risos.     Zeca Baleiro e Zélia Duncan Cine Theatro Brasil Vallourec (Praça Sete, centro, 3201-5211). Dias 21 e 22 (sexta e sábado), às 21h. R$ 140 (inteira). 

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