Cantando Caymmi

Cantor e compositor baiano ganha homenagem em série de quatro shows

iG Minas Gerais | Priscila Brito |

Teresa Cristina abre primeiro fim de semana da programação de
WASHINGTON POSSATO
Teresa Cristina abre primeiro fim de semana da programação de "Caymmi, Quando Se Canta Todo Mundo Bole"

Há quem diga que é pouco as cerca de cem canções que Dorival Caymmi (1914-2008) compôs. Mas foi o suficiente para antecipar padrões estéticos do que viria a ser a moderna música popular brasileira e para render uma homenagem extensa no ano de seu centenário. A partir do próximo sábado (22), o Centro Cultural Banco do Brasil estreia o projeto “Caymmi, Quando Se Canta Todo Mundo Bole”, que homenageia o compositor baiano em quatro shows temáticos (veja quadro ao lado).

Teresa Cristina e João Cavalcanti abrem a série com o show “Requebre que Eu Dou um Doce”, homenagem às mulheres cantadas pelo compositor, sejam elas reais, personagens (como Gabriela) ou divinas (como Iemanjá). Em comum, o jeito simples de admirar a beleza da mulher, na visão de Teresa. “Ele dizia que teve uma visão do paraíso quando viu a Stella Maris (sua esposa) pela primeira vez porque ela usava um vestido de poá e o cabelo preso num coque. Que homem hoje vai descrever a paixão que sente por uma mulher dessa forma?”, exemplifica.   “Cabreira” por ter que cantar “Modinha Para Gabriela”, pois sente que está se apropriando de uma canção que pertence inteiramente a Gal Costa, Teresa fica mais à vontade com outras pérolas do repertório, caso de “O Dengo que A Nega Tem”. “É uma música que todas nós mulheres precisamos ouvir. A mulher hoje confunde a sedução com o corpo, e ele mostra que o poder de sedução da mulher é o sorriso, o olhar, o gingado”.   A Bahia, praticamente um personagem no repertório de Caymmi, é tema do segundo show, “Acontece que Sou Baiano”, com Moreno Veloso e a meio mineira, meio baiana Jussara Silveira. Juntos, vão dividir os vocais em “Afoxé”, “Você já Foi à Bahia?”, entre outras.   Nascida em Nanuque, na região do Vale do Mucuri, em Minas, e criada no litoral baiano, Jussara diz que vai cantar com a intimidade de quem conhece bem o Estado e que chegou a confundir Caymmi, quando os dois se encontraram. “Ele achou que estava conversando com uma cantora baiana e depois disse que eu tinha que valorizar muito o fato de ter nascido em Minas”, recorda, com um nítido sotaque baiano na fala. A intimidade, porém, não vai deixar com que Jussara cante para além dos limites criados pelo compositor. Uma afirmação recorrente do baiano era a de que ninguém interpretava suas músicas melhor que ele próprio, e a cantora teve prova concreta desta convicção.   À época do encontro, ela gravava o disco “Canções de Caymmi”. Decidiu, então, cantar “Lá Vem a Baiana”, baseada na versão de João Gilberto para mostrar ao “dono” da obra. Quando cantou um acorde em ré menor, foi interrompida. “Ele falou: ‘não é assim’. Eu disse que tinha aprendido com a gravação de João Gilberto, e ele respondeu: ‘João fez coisas incríveis, mas nesse ponto da música o acorde tem que ser maior’”. Jussara ligou para sua equipe e retornou ao estúdio para gravar novamente a música. Era necessário que aquele único acorde estivesse da forma como foi concebido. Lição aprendida: “A canção dele é tão completa que não precisa de artifícios. A canção é do jeito que veio”, define.   Fecham a série de homenagens Camila Costa e Bem Gil com as canções praieiras no show “Quem Vem pra Beira do Mar”, seguidos por Alice Caymmi e Danilo Caymmi, neta e filho do compositor, que fazem celebração em família no show “Acalanto”.   Confira programação completa:   Dias 22 (sábado) e 23 (domingo) Teresa Cristina e João Cavalcanti cantam as mulheres de Caymmi   Dias 29 (sábado) e 30 (domingo) Jussara Silveira e Moreno Veloso interpretam canções sobre a Bahia   Dias 6 (sábado) e 7 (domingo) Camila Costa e Bem Gil dedicam show às canções praieiras   Dias 13 (sábado) e 14 (domingo) Alice e Danilo, neta e filho de Caymmi, fazem homenagem “família”     Caymmi, Quando Se Canta Todo Mundo Bole Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). De 22 de novembro a 14 de dezembro, aos sábados e domingos, às 19h. R$ 10 (inteira)      

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