Bovespa fecha em equilíbrio

Analista avalia que, se Petrobras melhorar a governança, “cedo ou tarde bate no lucro”

iG Minas Gerais |

Crise de gestão. Com as denúncias de corrupção, os negócios da petroleira podem ser questionados, caso a investigação aponte que parte dos investimentos pode não ter sido contabilizada corretamente
STEFERSON FARIA
Crise de gestão. Com as denúncias de corrupção, os negócios da petroleira podem ser questionados, caso a investigação aponte que parte dos investimentos pode não ter sido contabilizada corretamente

São Paulo. A decisão da Petrobras de adiar a divulgação de seu resultado no terceiro trimestre foi recebida negativamente pelos investidores nesta sexta. Após terem caído mais de 5% ao longo do dia, as ações da empresa reduziram a perda no final do pregão, mas fecharam sua quinta semana seguida no vermelho.  

A ligeira recuperação dos papéis da petroleira beneficiou o principal índice da Bolsa brasileira. Depois de ter caído 1,85% ao longo do dia, o Ibovespa fechou perto da estabilidade, com leve baixa de 0,14%. Na semana, o Ibovespa cedeu 2,73%. Foi a segunda baixa semanal consecutiva do índice.

A avaliação de analistas consultados pela reportagem é que o episódio do adiamento da divulgação do balanço deteriora ainda mais a credibilidade da gestão da empresa, mas que também pode motivar mudanças que serão benéficas no futuro. “É uma situação complexa para a empresa, mas também uma chance de melhorar sua governança e suas práticas, o que, mais cedo ou mais tarde, bate no lucro”, diz Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets.

“Quando a empresa adota controles mais rígidos, tem condição por si só de ser mais lucrativa. Se a Petrobras aproveitar para fazer um processo de governança, ganha muito valor sem fazer esforço”.

O presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, disse temer que a crise na Petrobras abale a reputação do mercado financeiro do país. A estatal é investigada pela Secutiry and Exchange Comission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) e pelo Departamento de Justiça do governo norte-americano.

Não vai passar em branco. Analistas alertam para riscos financeiros, como a realização de baixas contábeis caso seja constatado o superfaturamento de projetos, aumento dos custos de captações no mercado externo e, fatalmente, impactos negativos nos dividendos pagos pela empresa aos acionistas. “O mercado está vendo que os problemas são mais graves e que a divulgação do balanço não auditado não passará despercebida das autoridades norte-americanas”, disse Rodrigo Steiner, vice-presidente de renda fixa da INTL FCStone.

Analistas da Votorantim Corretora destacaram em relatório a possibilidade de a Petrobras realizar baixa contábil dos ativos, uma vez que, de acordo com a investigação, parte do Capex (investimentos) pode não ter sido contabilizado corretamente.

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